Avalanche como ensaio de uma catástrofe. (Foto: Divulgação).

Avalanche como ensaio de uma catástrofe. (Foto: Divulgação).

O ensaio de uma catástrofe nos chiquérrimos Alpes franceses abala a dinâmica de uma família sueca aparentemente comum. Este é o mote principal do longa Turistas, que foi exibido na mostra competitiva do Janela Internacional de Cinema, no Cinema da Fundação, no Recife. Espécie de thriller familiar/conjugal, o filme venceu o prêmio do júri no último festival de Cannes dentro da mostra Um Certo Olhar.

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Ebba e Tomas, ao lado do casal de filhos pequenos, estão comendo em um restaurante nas montanhas. Uma avalanche, aparentemente controlada, se aproxima de todos. Em um primeiro momento todos os turistas gravam vídeos em seus smartphones, mas logo percebem que o mais seguro é sair correndo dali. Depois que a ameaça de soterramento passa e ninguém fica ferido, uma atitude de Tomas modifica para sempre aquela estrutura familiar. Ao final, a natureza sempre vence.

O diretor sueco é um autor muito comparado com Ingmar Bergman pelo modo como desconstrói os personagens em frente ao público e como aborda temas humanos grandiosos a partir de situações cotidianas. No entanto, Ruben não carrega o mesmo peso da forma inexorável de seu conterrâneo e se permite apostar no humor, e no caso deste filme, também no suspense.

Com as estruturas abaladas, a família de turistas vive uma expectativa de dissolução. A ironia é colocar aquelas pessoas em um lugar belo, luxuoso e chique, mas deixar claro o modo como entram em uma entropia de desentendimentos, estresse e crises amorosas. Fora de seu contexto normal, eles têm a relação testada a todo momento. O diretor usa elementos de suspense para ilustrar as tensões dos personagens. O que está à espreita é um possível, e talvez inevitável, fim.

O longa foi chamado de Turistas dentro da programação do , mas se chamará (tradução direta do original Force Majeure) quando estrear em circuito comercial no dia 12 de março de 2015.

Foto: Divulgação.

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Björk

O final de semana ainda teve o documentário musical Björk: Biophilia Live, que mostra as inovações da cantora islandesa em seu último disco Biophilia. O trabalho meticuloso teve como base o estudo dos sons emitidos pela natureza e levou a cantora e produtores a buscarem novos instrumentos e técnicas para retirar sons de cristais e do centro da Terra. Ela também lançou aplicativos que replicam as descobertas do álbum.

O filme ganha uma reprise no próximo sábado (1ª de novembro), novamente no Cinema da Fundação, no Derby.

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