POP DOSADO
Ainda exagerando no açúcar, o Keane tenta uma sonoridade menos grudenta
Por Lidiana de Moraes

KEANE
Perfect Symmetry
[Island, 2008]

Quando apareceu como uma sensação da música na Inglaterra, o Keane surpreendia com suas músicas a base de piano, bateria e guitarra. O vocalista Tom Chaplin cantava e compunha canções não aconselháveis para diabéticos. No entanto o contexto da banda funcionava porque adicionou ao mainstream do rock, uma colherada (bem cheia) de sentimento, algo que vinha faltando. Finalmente o Coldplay gerava sua primeira cria, amamentada a base de muitas audições de “Yellow”.

Talvez em uma tentativa de se desvincular da banda de Chris Martin, em seu segundo trabalho o Keane colocou um pouco mais de força em suas invenções e bebeu de uma fonte bem prolífera dos anos 80 para compor canções como “Is It Any Wonder” e “Crystal Ball”. A modificação surtiu efeito. O que antes era um grupo que abusava do mel, agora apresentava uma consistência menos grudenta, e mais atraente.

Agora eles acabam de lançar Perfect Symmetry e a receita de sucesso para este grupo parece ter desandado. Mais uma vez, Chaplin e seus companheiros tentaram regar as canções com referências oitentistas, mas tudo o que é demais não é bom. Uma música como “You Don’t See Me” tenta romantizar o rock da mesma maneira que o Duran Duran conseguiu (e com honra ao mérito). No entanto, o excesso faz com que o Keane em si deixe de existir para se tornar apenas uma persona de uma época que não viveu.

Talvez o que tenha dado esperanças para os ingleses tenha sido o feito de contemporâneos como o The Killers, que conseguiu escancarar influências de bandas como Depeche Mode, U2 e Joy Division e mesmo assim construir uma identidade própria. Mas não foi dessa vez! “Spiralling” vira uma comédia de erros quando tenta transformar uma harmonia vocal parecida com The Waterboys em algo que teria sido composto usando batidas e efeitos típicos de uma canção da Tina Turner. Nada contra dona Tina, mas sabe quando algo não parece estar no lugar certo? Pra piorar, aquele falatório todo no meio da canção, repleto de “Did you wanna” e bla bla bla, torna a piada algo ainda mais engraçado.

Continuando a saga de “inspirações muito estranhas”, o início de “Lovers Are Losing” poderia render direitos autorais para os suecos do ABBA. No entanto, só porque para a Madonna deu certo samplear “Gimme Gimme”, para o Keane o efeito não chegou perto de ser bem sucedido, mesmo sendo original e não plágio. Quando ele desaparece é uma benção para os ouvidos e a música nem fica tão intragável assim. E as palminhas de “Better Than This”? Melhor nem comentar senão a ladainha vai ser extensa…

Antes que digam que para esta receita não há salvação, “Love Is The End” chega a funcionar quando recupera a técnica da letra açucarada com uma batidinha que o A-ha também usou com maestria em suas baladas, como “Hunting High and Low”. E “Again and Again” merece destaque como a única composição que sai ilesa a qualquer crítica que possa ser feita ao disco, e não são poucas porque uma coisa é certa: a simetria perfeita definitivamente não é algo que o Keane alcançou com este trabalho. Mais sorte na próxima vez, para eles e para nós!

NOTA: 5,0

  1. Vocé tem toda razao Lidiana….seu comentário é baseado em que…….sua opiniao é ridicula…voce deve gostar de Odair José….Valdik Soriano….se voce nao sabe esse album foi eleito o melhor album de 2008pela Revista Q……..e na Rolling Stone pra quem relamente entende de musica ficou entre os 25 melhores

    http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI3416301-E…

  2. Crítico que usa palavras como “açucarada” precisam vender cachorro – quente!
    Porque usar esse termo para criticar a musicas melodiosas é ignorar o fato de que seres humanos merecem doses de vozes suaves , sons amorosos e baladas agradáveis e absolutamente emotivas e com refrões poderosos como faz Keane. Se o crítico não comprrende a necessidade que a música preenche na vidas das pessoas ele não pode ser crítico de música!
    Keane completa musicalmente muita gente.

  3. ‘Finalmente o Coldplay gerava sua primeira cria, amamentada a base de muitas audições de “Yellow”‘

    Já começou mal por aí: o Keane é mais antigo que o Coldplay e o Chris Martin suplicou para que o Tim entrasse para o Coldplay após ouvi-lo tocando piano, enfim. Não é porque as duas bandas usam o piano como instrumento é que precisam serem comparadas, aliás o Coldplay não faz algo bom desde Parachutes, o que salva os outros CD’s são os singles pois o CD em si é de dar sono, principalmente X & Y.
    Sobre o Perfect Symmetry (eleito melhor album britanico do ano ficando a frente de Oasis, Coldplay, The Killers e afins) é simplesmente a coisa mais ousada que se pode fazer atualmente, enquanto todo mundo se repete o Keane buscou influencias dos anos 80 para se renovar (contraditorio?).
    É dificil digerir essa nova fase, depois que ouvi pela primeira vez o CD pensei ‘eles fizeram m*rda’ mas depois de duas, três audições mudei completamente de opinião. Músicas como ‘The Lovers Are Losing’ e ‘Black Burning Heart’ tem refrões que são pegajosos a qualquer mente e não se pode ignorar uma letra tão genial como a de ‘Perfect Symmetry’. Sabia que ‘Better Than This’ ficou entre as melhores de 2008 e nem é single? Quanto a ‘Love is the End’ e ‘You Don’t See Me’ dá pra lembrar o Keane dos albuns anteriores mas tem como odiar uma voz tão perfeita como a do Tom em junção do piano/bateria? É isso que os fizeram famosos então não tem como ser ruim, de jeito nenhun.
    Por fim, qualé a graça em ‘Spiralling’? Se essa música fosse feita nos anos 80, seria clássico nos dias de hoje.

    obs: ‘O vocalista Tom Chaplin cantava e compunha canções’ … preciso comentar? Quem é fã de Keane tá morrendo de rir e com motivos.

  4. O problema dessa crítica não é o Keane e sim a vontade desesperada dela de mostrar como ela consegue fazer dezenas de citações pretensiosas em apenas seis parágrafos. Ouça bem uma canção do Coldplay e depois ouça uma do Keane. Mas com atenção. As diferenças são tantas que eu ia precisar de milhões de citações pra conseguir expressar. Apontar semelhanças de outros artistas dentro do trabalho de uma banda é um velho truque dos críticos pra demonstrar como eles são espertos e antenados. Mas isso é muito fácil. Até porque a arte nasceu da inspiração e o que seria da inspiração sem matéria-prima? Você tem o direito de não gostar do Keane, mas não tente transformar isso numa deficiência profissional dos caras. Isso não é justo e muito menos, ético.

    Essa crítica MATOU A PAU.
    Concordo com tudo.

  5. “Quando apareceu como uma sensação da música na Inglaterra, o Keane surpreendia com suas músicas a base de piano, bateria e guitarra.”

    guitarra?????
    só por essa frase ja da pra ver que a autora do reviw conhece muito bem Keane

  6. Acho que ó review da autora da resenha é só uma opinião, assim como nós temos a nossa. O que faz um crítico senão expressar sua opinião sobre uma determinada obra?

    Eu achei o álbum mediano, se formos compará-lo com os dois anteriores. Acho que a crítica dela foi pesada, mas deve ser respeitada, assim como a nossa.

  7. Eu não concordo com essa crítica, primeiro por que imaginem se o Keane fica repetindo a mesma fórmula do primeiro album a vida toda…seria deprimente..tudo bem deu certo na primeira vez..no segundo album eles deram uma pequena mudança e agora realmente mudaram muito. Perfect Symmetry pode não ser perfeito..mas quem é? é um bom álbum sim, inspirado sim em artistas de décadas passadas e um pouco mais animado que os anteiores. Confesso que achei estranha a primeira audição de Spiralling mas agora a musica simplesmente não sai de minha cabeça, é uma musica bem animada e que faz lembrar o velhos tempos do A-ha e outras bandas dos anos 80. É um album ousado sim e um bom álbum. E como disse a Li se não curte muito açucar vai ouvir Slipknot e outros tantos por aí…

  8. Perfect Symmetry, é fantástico e inovador. Os componentes da banda deram um grande salto ao ousar tanto. Não encontrei defeitos nas músicas.

  9. A pessoa q escreveu esse artigo é uma completa tapada q não entende de coisa alguma e vem falar de Keane? Vai pentear macaco filha..
    Keane inovou e acertou, logicamente um album como Hopes and Fears nunca mais existirá, pois Keane apostou numa renovação e fizera um album incrivel. Já q não curte mto açucar (não sei de onde ela tirou isso) vai ouvir Slipknot

  10. olha, ouvi o disco num site, e fui correndo comprar o cd, ( sim, ainda compro cds, graças a Deus, detesto downloads !) e adorei o disco, só isso que me importa !!!

  11. O problema dessa crítica não é o Keane e sim a vontade desesperada dela de mostrar como ela consegue fazer dezenas de citações pretensiosas em apenas seis parágrafos. Ouça bem uma canção do Coldplay e depois ouça uma do Keane. Mas com atenção. As diferenças são tantas que eu ia precisar de milhões de citações pra conseguir expressar. Apontar semelhanças de outros artistas dentro do trabalho de uma banda é um velho truque dos críticos pra demonstrar como eles são espertos e antenados. Mas isso é muito fácil. Até porque a arte nasceu da inspiração e o que seria da inspiração sem matéria-prima? Você tem o direito de não gostar do Keane, mas não tente transformar isso numa deficiência profissional dos caras. Isso não é justo e muito menos, ético.

  12. Ouvi o álbum só uma vez, mas gostei muito. Acho que inovaram e ao mesmo tempo mantiveram sua originalidade. Quanto a Spiralling, eu faço o mesmo comentário que o Chaplin fez na premiação da Q Magazine: “eu li a crítica do álbum e disseram que foi a música que menos gostaram do álbum; no entanto, foi a mais votada para o melhor single do ano. Aos leitores da Q, muito obrigado.”

    E outra: convenhamos, Hopes and Fears é bom demais! Bem melhor que mel!

  13. Oh crítico frustado!! Com certeza nunca conseguiu produzir nada e fica melando o trabalho dos outros!! O disco é otimo!!!! Não escutem o que essa frustada fala. Não consegue nem respeitar o trabalho árduo dos caras.

  14. Já faz 5 dias que venho escutando esse novo álbum do Keane e não consegui encontrar essa tal de “simetria perfeita”, que é o nome do trabalho. Tenho os outros discos da banda e o que eu tenho a dizer, com toda a sinceridade, é que estou muito decepcionado… Mas vou continuar ouvindo pra ver se a ficha cai…

  15. “Better Than This” e “Haven’t Told Me Anything” são as únicas músicas que não gostei. De resto, curti todas. Achei um disco bem animado e com bons arranjos. Realmente tem cara de álbuns dos anos 80 e lembra ABBA em alguns momentos. Gosto dos gritos de “Spiralling”, dos vocais de “The Lovers Are Losing” (uma das melhores do disco” e do coral de “Perfect Symmetry”. Espero que faça sucesso.

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