A maneira como a imprensa pernambucana escrevia sobre cinema na primeira metade do século passado é o mote da pesquisa que virou o livro Antologia da Crítica Pernambucana – Discursos Sobre Cinema na Imprensa (1924-1948). Editado pela Cepe, com incentivo do Funcultura e apoio da Abraccine, e organização do jornalista e crítico André Dib e da realizadora Gabi Saegesser, a obra traz episódios relevantes da cinematografia local.

Entre os temas histórias abordados no livro estão o lançamento de Coelho Sai (primeiro longa sonoro produzido no Nordeste); a passagem do diretor norte-americano Orson Welles pelo Recife (e a origem da frase That’s a lero-lero, que virou título do curta de Lírio Ferreira e Amin Stepple); e os primórdios do cineclubismo no estado

O objetivo, segundo os organizadores, é tornar acessível ao leitor um panorama dos principais autores e ideias, e mergulhar no imaginário e nas formas de pensar cinema em Pernambuco na primeira metade do século 20. “Esperamos, com este trabalho, incentivar novas pesquisas, tendo em vista que os acervos disponíveis permitem aprofundar investigações cujas fontes estão longe de se esgotar”, escrevem os organizadores na apresentação do livro.

Para o crítico de cinema e professor Luiz Joaquim, um dos principais méritos dessa antologia é “sua capacidade de agregar num único volume um universo de ideias antes dispersas que, agora juntas num só corpo, agregam um novo sentido e oferecem novas perspectivas sobre o inicial pensamento intelectual pernambucano a respeito do cinema”.

Em um primeiro momento, os textos são apenas informativos, mas depois seguem o perfil da reflexão “quase sempre laudatórias ou ufanistas”, como escrevem os autores. Somente ao final dos anos 1920 surgem as crônicas especializadas, assinadas por nomes que ficaram conhecidos, como os de Evaldo Coutinho e Nehemias Gueiros. Este último chegou a escrever que “Recife é a Hollywood brasileira” (Jornal do Commercio, 29/12/1929).

Cena de A Filha do Advogado, de 1926. (Divulgação)

Quanto aos filmes, os primeiros recifenses a ganharem comentários são Aitaré da praia (Gentil Roiz, 1925) e A filha do advogado (Jota Soares, 1926). Não dá para esquecer cinematografistas – assim eram chamados os cineastas ou diretores – como Edson Chagas e Ary Severo, que também fizeram parte do importante e produtivo Ciclo do Recife. Sem falar das empresas cinematográficas como a Aurora Film, Meridional Filmes, Liberdade Film, Hiate Film, Spia Film, entre outras.

Interessante também os registros das primeiras sessões de cinema ocorridas no Recife, como a inauguração dos Cine Pathé e Cine Royal, em 1909. “A primeira crônica que encontramos foi publicada em janeiro de 1910, registro pioneiro sobre o hábito de ir ao cinema no Recife, logo depois da inauguração do Cine Pathé”, declaram André e Gabi.

O livro tem 511 páginas e custa R$ 45.

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