Longa Fim de Semana no Paraíso Selvagem, do pernambucano Severino, faz sua estreia na Mostra de Cinema de SP

O filme, que é o segundo longa-metragem do diretor, tem trilha sonora assinada pelo pianista Amaro Freitas

Ana Flavia Cavalcanti interpreta Rejane. A protagonista se torna um corpo-encruzilhada, que abre o tempo para trás e para frente. (Foto: Divulgação).

Com première mundial na competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, neste domingo (23), Fim de semana no paraíso selvagem é o segundo longa-metragem do diretor pernambucano Severino, que anteriormente assinava seus trabalhos como Pedro Severien. A produção, que terá ainda exibições nos dias 26 e 27 de outubro, marca o primeiro papel da atriz Ana Flavia Cavalcanti como protagonista em um longa e a primeira trilha sonora original para o cinema do pianista Amaro Freitas.

Na trama, Ana Flavia Cavalcanti é Rejane – que chega a um território de disputas desleais entre tubarões e peixes pequenos para tentar entender o que aconteceu com seu irmão Rodrigo, interpretado por Pedro Wagner, um exímio mergulhador encontrado morto em um mar cercado de sombras por todos os lados. Na obra, a protagonista se torna um corpo-encruzilhada, que abre o tempo para trás e para frente, e busca pistas na tentativa de montar as peças de um verdadeiro quebra-cabeças. O elenco conta ainda com Joana Medeiros, Zezé Motta e Eron Villar.

Composta e executada pelo pernambucano Amaro Freitas, revelação do jazz com projeção internacional, a trilha sonora proporciona, segundo Severino, “um mergulho para dentro” em sintonia com o movimento da própria narrativa do filme. Sobre o surgimento dessa parceria entre os dois conterrâneos, o cineasta, que é ávido consumidor de jazz, comenta: “Comecei a experimentar colocar o som de Amaro em algumas imagens iniciais de pesquisa do Paraíso, e isso foi criando vida na tela. Fiz contato com Amaro e ele topou na hora. Essa é a primeira trilha dele para o cinema. Passamos meses conversando, investigando, experimentando. Ele tem uma sensibilidade gigante”.

O longa, porém, chega ao público em um momento bastante delicado e turbulento da história do país. Gravado durante a pandemia, Fim de semana no paraíso selvagem compõe uma safra potente de recentes produções pernambucanas que resistiram não somente à omissão do governo federal diante da crise sanitária, mas também aos sucessivos ataques às políticas públicas de fomento à cultura.

“Sentimos uma convocação para transformar o mal estar que acometia o país em trabalho e arte. Eu me dispus, junto com toda a equipe de criação, a atualizar o filme, trazer para dentro da tela essas dimensões do presente. E uma coisa que descobri nesse processo é que o filme tem como coração da narrativa, sua carne mesmo, a memória, a memória coletiva como ferramenta de transformação e libertação das mentalidades”, revela o diretor. “O filme aponta para essa coragem tranquila de saber que o Brasil é muito mais que a violência e dor causada pela classe dominante”, conclui.

SERVIÇO:
Fim de Semana no Paraíso Selvagem, de Severino (116′), BRASIL
Classificação Indicativa: 14 anos
23/10/22 – (Domingo) – 21h10: ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2 INSTITUTO
26/10/22 – (Quarta) – 15h50: MOREIRA SALLES – PAULISTA
27/10/22 – (Quinta) -19h: CIRCUITO SPCINE CEU PERUS
27/10/22 – (Quinta) -19h: CIRCUITO SPCINE CEU MENINOS
27/10/22 – (Quinta) -19h: CIRCUITO SPCINE CEU VILA ATL NTICA

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