A cantora e compositora acaba de lançar o clipe de mais uma faixa de seu último disco, Azul Moderno. A direção é de Pedro Serrano.

Em “Iarinhas”, uma criança acorda no meio da noite e é capaz de sentir a presença das águas soterradas pela cidade. Numa jornada onírica, ela navega pela cidade de São Paulo, guiada pela música de Luiza. 

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Luiza Lian escreveu um texto sobre a música e o clipe de “Iarinhas”:

Eu devia ter uns quatro anos de idade, estava indignada na calçada do restaurante  dos meus pais, no sul da bahia, por que minha mãe não me deixava sair pra brincar na chuva. Era uma rua de terra batida e uns paralelepípedos largados, tinham tantas poças de água, que pareciam essas imagens aéreas de rios e montanhas. Uma garçonete parou do meu lado com um barquinho de papel e soltou ele no riozinho que se formou na chuva,  eu pedi pra ela fazer mais um e ficamos brincando de colocar os barcos da água e imaginar pra onde eles iriam navegar. 

 Pouco tempo depois disso voltamos pra São Paulo, eu via na TV as notícias das enchentes, ruas alagadas, e na minha inocência, achava lindo que a cidade ficasse cheia de água, e não entendia por que os carros não se transformavam em barcos pra não morrerem em baixo d’água. Minha grande meta de vida era fazer a minha mãe construir um barquinho do meu tamanho, pra eu poder navegar também, protegida da chuva, pelas águas da cidade.

Comecei a fazer Iarinhas na rua Iquiririm, antigo rio Inquirim, tinha acabado de assistir o documentário entre rios, estava bem mexida com a questão dos rios soterrados da cidade e fiquei pensando “essa rua tem o nome de um rio que a cidade sufocou”. Quando mostrei para a Leda Cartum (co-compositora dessa música), ela lembrou, que nas épocas de enchente são esses os lugares onde a água transborda com mais força, que são os rios sobrepondo o asfalto pra seguir o seu curso e crescimento, e assim escreveu o verso da música que conta essa história. Para terminar com essa saudação as Iaras, sereias dos rios, entidade nativa do Brasil, força mágica da natureza que resiste sobre os nossos pés.   

 Quando o Pedro me sugeriu que fizéssemos um vídeo dessa música,  eu contei pra ele essa história, que ele traduziu de uma forma tão especial nesse videoclipe.

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