Lupe Fiasco retorna introspectivo e espiritualizado em novo álbum

Produzido por Soundtrakk, disco do rapper norte-americano foi feito em apenas três dias e traz reflexões sobre a vida com resultados irregulares

Lupe Fiasco retorna introspectivo e espiritualizado em novo álbum

Produzido por Soundtrakk, disco do rapper norte-americano foi feito em apenas três dias e traz reflexões sobre a vida com resultados irregulares

Lupe Fiasco retorna introspectivo e espiritualizado em novo álbum
3.5

Lupe Fiasco
Drill Music in Zion
1st & 15th Productions/Thirty Tigers, 2022. Gênero: rap

Lupe Fiasco faz parte de uma geração muito inventiva do rap norte-americano. Ao lado de Kendrick Lamar, Jay Electronica, Madlib, Talib Kweli e The Roots, entre outros, ele é da turma que gosta de torcer os limites do gênero com aproximações com o jazz e a eletrônica. Drill Music in Zion, seu novo álbum, segue na mesma proposta, mas adiciona um toque mais reflexivo e espiritual, resultado de um processo de criação feito em uma espécie de fluxo de consciência onde tudo foi escrito e gravado ao longo de três dias.

As batidas criadas pelo seu antigo colaborador Soundtrakk trazem a complexidade necessária para as letras profundas de Fiasco, sempre cheias de camadas e para sua rima cheia de metáforas. O título do trabalho faz referência à terra prometida bíblica com o som feito nas quebradas de sua cidade natal, Chicago. O disco vem repleto de comentários sociais, com críticas também à indústria e sua exploração da dor alheia para gerar lucro.

O flow do rapper segue bastante variado aqui, indo das rimas pesadas e candenciadas em “Autoboto” e “Kiosk”, passando pela meticulosa e jazzística “Ghoti” até “Ms Mural” e “Naomi”, faixas com letras altamente articuladas sobre religiosidade e política.

Lupe Fiasco volta a surpreender com sua capacidade de tecer comentários que fogem da obviedade, além de se mostrar muito seguro na sua poética. O disco parece reconectar o rapper com sua fase mais inventiva, como em Tetsuo & Youth (2014) e Food & Liquor II (2012), após uma série de discos que perseguiam uma proposta mais pop, caso de Drogas Wave (2018). Um belo retorno de um dos rappers mais interessantes de sua geração.

O título do trabalho faz referência à terra prometida bíblica com o som feito nas quebradas de sua cidade natal, Chicago. (Foto: Jessica Halter Weaver/Divulgação).

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