Madonna (Foto: Divulgação)

JUJUBA AZEDA
Engessado pela produção de Timbaland, novo disco da deusa pop derrapa em canções chatas e sem inovação
Por Gilberto Tenório

No efêmero planeta da música Pop, poucos são os artistas que conseguiram manter tanto a atenção do público quanto Madonna. Rainha absoluta do estilo musical, a cantora deu ao mundo grandes hits, ditou tendências de moda e escandalizou a sociedade com a sua pseudo-liberação sexual. Sua música flertou o tempo todo com os ‘degradados’ sociais (negros, latinos, gays) e sua capacidade de se renovar fez com o que público se transformasse junto com ela, evitando assim uma ‘síndrome de Michael Jackson’.

Cantora, atriz, cineasta, esposa, mãe. A artista consegue reunir tantos atributos que às vezes fica difícil de acreditar quem ela é de verdade. Entreanto, é no real que Madonna encontrou a fórmula do sucesso. Agora, às vesperas de completar 50 anos, ela volta tentando mostrar mais uma vez que ainda dita as regras no mercado musical e lança seu 11º álbum, Hard Candy. Porém, diferentemente de outras épocas, a Madonna que surge agora deixa a ousadia de lado e investe em uma musicalidade comum a todas as suas cópias.

Na canção “She´s Not Me”, sexta faixa do CD, Madonna parece mandar um recado para as concorrentes que, descaradamente, copiam o estilo visual e musical da cantora. Entretanto, a julgar pelo conteúdo do trabalho, desta vez foi a veterana artista quem se espelhou na falta de atitude das jovens aspirantes ao posto de rainha do Pop. Com produção do midas Timbaland, a alma por trás do sucesso de Justin Timberlake, o disco é um retrocesso na carreira da artista tão acostumada a lançar novas tendências musicais.

Hard Candy é antes de tudo um disco chato. Sem hits empolgantes, sem baladas melosas, mas mesmo assim gostosas de ouvir, e sem inovações, o álbum mostra que a mão pesada do produtor pasteurizou o trabalho da cantora e tirou o que a musicalidade de Madonna tem de melhor: a capacidade de surpreender os ouvintes – sejam eles fãs ou não do seu trabalho. Seguindo a mesma linha usada nos discos de Timberlake e Nelly Furtado, Timbaland engessou as canções do álbum dentro de uma sonoridade cheia de metais repetitivos e sintetizadores usados sem nenhuma criatividade. Para completar, a tão alardeada parceria com Justin rendeu o insosso primeiro single do trabalho, a chatinha “4 Minutes”. Na faixa, a dupla canta sobre um iminente apocalipse, mas o que se sobressai é a falta de personalidade e os vocais equivocados – além, é claro, da irritante voz do cantor repetindo o nome da parceira entre um refrão e outro.

A lista de equívocos de Hard Candy segue com “Give It To Me”, pop rasteiro com os habituais arranjos de Timbaland que imitam uma sirene, a pretensa balada “Miles Way” e o charm funk “Incredible” (coisa que até Hanah Montana faria melhor). Mas nada consegue ser mais chato, e inexplicavelmente mal produzido, do que a horrenda “Spanish Lesson”. Na canção, cheia de latinidad, Madonna traduz, literalmente, versos do espanhol para o inglês em meio a arranjos esquizofrênicos de cordas, castanholas e percussão. Difícil acreditar que a canção faz parte do repertório de uma artista que já deu ao mundo pérolas do gênero como “Like a Prayer”, “Vogue”, “Ray of Light”, “Music” e “Hung Up”. “Candy Shop”, primeira canção do disco, e “Heartbeat” são as únicas que conseguem um resultado razoável.

Madonna e Justin Timberlake (Foto: Divulgação)
Presa no “formato Timbaland”, Madonna estaciona suas inovações e investe numa sonoridade comum no pop atual

Produção equivocada evidencia as falhas do estilo Timbaland
Hard Candy parece ter sido elaborado com a intenção de aproximar Madonna da sonoridade que dá as cartas na música americana atualmente, o Hip Hop. Entretanto, na intenção de se ‘modernizar’, a cantora caiu na armadilha de querer agradar ao gosto médio do público jovem atual, especialmente o americano. Nem de longe se percebe a artista inventiva que, mesmo errando, conseguia dialogar com tendências variadas.

O saldo final do álbum está longe do alcançado com o último trabalho dela, o elogiado e ultra dançante Confessions on a Dance Floor (2005). O resultado desastroso também serve para analisar a participação de Timbaland na cena atual. Desde que se auto declarou o ‘Quincy Jones’ de Justin Timberlake, graças ao sucesso da parceria que resultou no disco Future Sex/Love Sounds, o produtor passou a ser requisitado por artistas tão diversos quanto Bjork e Pussycat Dolls. Entretanto, o ‘talento’ do moço parece não ter tão grande assim e já dá sinais de esgotamento.

Madonna finaliza a primeira década dos anos 2000 com um trabalho bem abaixo de sua capacidade. Apesar disso, como artista talentosa e boa marqueteira que é, a cantora deve conseguir com este novo álbum alguns primeiros lugares nas paradas, videoclipes interessantes e boas vendagens. Mesmo assim, o ‘doce’ oferecido pela cantora em Hard Candy é um produto bastante amargo.

NOTA: 5,0

[+] MADONNA: DE MATERIAL GIRL A ÍCONE POP, POR LUISA LUSHVARGH
[+] TOP 5 VÍDEOS DE MADONNA
[+] GALERIA DE FOTOS: MADONNA ATRAVÉS DAS DÉCADAS

Colaborador
  1. po véio dizer isso do albúm é loucura….pois eu acho as musica produzidas pelo Timba muito repetidas mas as produzidas pelo Pharrell são melhor Beat Goes On (feat. Kanye West)é d++++fora que ele é mais talentoso pois usa varios instrumentos….Viva Madonna,Pharrel(Neptunes)

  2. Concordo com os comentários acima.

    Meu caro, sua crítica além de conter inverdades (não, nunca coloque na boca de um artista algo que ele não falou, rapaz – dica de jornalista, ok? Pelo menos aqui em Sâo Paulo tenta-se seguir essa cartilha), é bastante pobre e mal escrita.

    Não fou fã número 1 da mulher, muito pelo contrário, critiquei-a diversas vezes no meu blog, mas procure reunir elementos mais consistentes quando se propuser a escrever uma resenha de um álbum com chamada principal na home do site e tudo.

    Eu nem conhecia esse site. Entre pela primeira vez. E última. Abraços.

  3. Adoro essa mulher desde os anos 80, estou ouvindo o cd novo neste exato momento, e com Madonna, mesmo na primeira audição, tem músicas que a gente gosta logo de cara…não estou sentindo isso com esse cd,tirando a parceria com Timberlake, as outras músicas não me empolgaram tanto assim, ao contrário do cd anterior, que tinha pelo menos 4 músicas muito boas. E lógico que ela se cercou de produtores que renderam bons sucessos com outros artistas, e não há nada de errado com isso, desde que resulte em boas músicas. Independente de certos aspectos da critica( se o autor informou errado certos dados),o mais importante é que o cd não empolga de cara.Talvez daqui alguns dias mude essa impressão, talvez não..E spanish lesson é de correr mesmo….

  4. Gilberto Tenorio deveria ficar calado e nao tentar argumentar com os fans da cantora, que realmente escutam suas entrevistas). Talvez assumir que escreveu uma pessima analise cheia de interpretacoes altamente pessoais sem nenhum cunho musical seja a melhor resposta.

    Madonna nunca disse que o disco segue a linha TIMBALAND. Pra comecar, Timbaland entrou no trabalho pra produzir apenas uma faixa com Madonna e Justin, o resultado foi tao bom que acabaram produzindo mais musicas.

    E o que fez Madonna procurar esse pessoal foi abertamente declarado e nao possui intencao alguma de se modernizar: “Eu adoro o album dessas pessoas e resolvi trabalhar com elas:, disse Madonna.

    O primeiro a trabalhar com ela foi PHARREL WILLIAMS.

    Gilberto Tenorio, vc nao sabe do que esta falando mesmo. Que tal da proxima vez se ater aos aspectos musicais, ao inves de destilar seu pobre conhecimento musical?

    Um bom exemplo do seu pobre conhecimento musical foi o que escreveu sobre SPANISH LESSON (“cheia de latinidad”). Bom, vc esqueceu (ops, vc nao sabe) que SPANISH LESSON, com excessao a guitarra espanhola, eh um som completamente BLACK. SPANISH LESSON surgiu do som produzido por negors em Baltimore (chamado de B-more). Exemplo disso: http://www.youtube.com/watch?v=tMEDZnM_TZE (repare que a sonoridade eh similar).

    Ao contrario do que vc diz, Madonna fez um disco moderno, que revisita o inicio de sua carreira (sonoridade funcky, “EVERYBODY”, hellooo??) e troca olhares com o futuro (reparou que um vasto numero de musicas desse album comeca URBAN e termina mais eletronico? Ai vai: Miles Away, She’s not me, Beat Goes On, Dance 2night).

    Madonna nao eh boba e fecha seu contrato com a Warner com um disco popular, talvez seu disco mais popular nesse milenio.

    Mas ai vem a pergunta que os criticos devem se fazer antes de escrever resenhas mediocres:

    O QUE TEM DE ERRADO EM SE FAZER MUSICA POPULAR?

  5. Talvez esta seja a pior “review” que leio do album (junto da critica feita no site da Erka Palomino).

    Como eu pude perceber, o disco de Madonna nao tenta fazer nada de invovador, mas acaba unindo dois sons distintos. Algumas faixas soam como se tivessem misturados KYLIE MINOGUE e NELLY FURTADO (sabemos que as duas co-existem no mundo da musica, mas junta-las numa so cancao, so Madonna mesmo). Ex.: Heartbeat.

    A critica dessa revista foi horrivel, o cara nao sabe do que esta falando.
    Alguem quer ver uma critica descente? experimente:

    http://rivello.blogspot.com/2008/04/hard-candy-madonna.html

  6. TIMBALAND NAO PRODUZIU “GIVE IT TO ME”.

    O CARA NEM SABE AO CERTO A LISTA DOS PRODUTORES DO ALBUM E ESTA CRITICANDO?

    SR. GILBERTO TENORIO DEVERIA PROCURAR SE INFORMAR MAIS A RESPEITO DO DISCO, O QUE ME FAZ SUSPEITAR SE ELE REALMENTE ESCUTOU O DISCO ANTES DE ESCREVER A RESENHA.

  7. Desculpa mas ela nunca falou que o albúm traz o estilo “Timbaland” em seu conjunto. Ela pode até ter falado que o albúm traz um estilo mais americano, por que os produtores são americanos.

    Só tô dizendo que você se referiu a um aspecto que não condiz com as músicas do albúm e nem sequer prestou atenção pra saber quem de fato tinha produzido as músicas.

    Desculpa a chatice de fã tá? Nada pessoal!

    Abraço!

  8. Oi Johnny!

    Várias músicas de Hard Candy são realmente produzidas por Pharrel (incluindo aí ‘Give It To Me”). Entretanto, como a própria Madonna deixou claro em inúmeras entrevistas dadas antes do lançamento do álbum, o disco traz o estilo de Timbaland em seu conjunto. E é justamente sobre esse aspecto de que a resenha fala.

    Espero que você continue nos prestigiando e emitindo suas opiniões.

    Um abraço.

  9. “…lista de equívocos de Hard Candy segue com “Give It To Me”, pop rasteiro com os habituais arranjos de Timbaland que imitam uma sirene…”

    Desculpa minha gente, eu sempre confiei nas resenhas e matérias desse site, mas isso foi falta de informação demais.
    Tem que estar bem informado pra saber o que se está falando.

    A maioria das músicas do disco foi produzida por Pharrel Williams.

  10. Vale lembrar que nem todas as faixas são produzidas pelo Timbaland. Por exemplo, “Give It 2 Me” é produzida pelo Pharrel Williams, assim com “Candy Store”, “She´s Not Me” e “Spanish Lesson” que não estão sob o cuidado de Timbaland.

  11. Depois de escutar o disco todo, acho que 4 Minutes consegue ser “a mais legal”. Timbaland deixa sua marca, porque dá para sentir as mesmas batidas de músicas da Furtado e do Timbarlake, só que não empolga como os hits que ambos emplacaram.

    Pode ser always a M…, mas que ela errou a mão nesse disco, errou. Já no visual, as fotos divulgadas com este novo trabalho mostra uma senhora madonna que, parece, não envelhecer nunca.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais
Carne Doce lança novo single “A Caçada” inspirado em conto de Lygia Fagundes Telles