Crítica-HQ: Mangá aposta no bizarro para criticar sociedade japonesa
8.5


DEMENTIA 21
De
[Todavia, 280 páginas, R$ 69,90 / 2020]
Tradução de Drik Sada

A jovem Yukie Sakai só tinha uma preocupação em mente quando iniciou seus trabalhos no centro de cuidado domiciliar Green Net: conseguir boas avaliações de seus clientes, a maioria idosos que dependem de atenção profissional. O que ela não sabia é que precisaria lidar com alienígenas, dentaduras possuídas pelo demônio, assassinos psicóticos e gigantes heróis aposentados.

Dementia 21 é escrita pelo japonês Shintaro Kago, um dos autores mais cultuados do mangá adulto atualmente, e faz parte do ero-guro, subgênero que mistura humor, erotismo e escatologia para contar histórias, muitas vezes forçando os limites do suportável em tramas repletas de imagens gráficas e grotescas. Autores como Hideshi Hino e Suehiro Maruo, expoentes dessa proposta, já tiveram títulos publicados no Brasil.

Kago, na verdade, atua em uma escala até “amena” comparado aos seus colegas de ero-guro, sobretudo porque suas tramas são divertidas antes de serem perturbadoras. A controvérsia e o choque no uso da violência ainda se fazem presentes, mas é tudo tão exagerado que não chega a incomodar (“incômodo” é a chave para compreender o ero-guro). Na trama, Yukie é uma cuidadora que faz de tudo para agradar seus clientes – e seus chefes na clínica de cuidados – mesmo que isso signifique arriscar sua vida ou lidar com situações bizarras.

Com esta Kago traz críticas à sociedade japonesa, como o conservadorismo e a obsessão pela eficiência, que leva à exploração do trabalhador e também à depressão. Com alta dose de exagero, o mangá também lida com a saúde pública no Japão, suicídio e déficit habitacional, tudo dentro de um estilo bastante próprio do autor que já foi chamado de “paranoia elegante”. É um HQ que surpreende e que pode significar uma porta de entrada ao ero-guro para muitos leitores.

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