Cena de "Martírio", de Vincent Carelli. (Divulgação).
Cena de “”, de . (Divulgação).

Martírio, de Vincent Carelli, foi o grande vencedor da 14ª edição do , Festival Latino-Americano de Cinema Ambiental, encerrado em Porto Velho, capital rondoniense, no último dia 26 de novembro. O documentário venceu a inédita categoria longa-metragem, agora direcionada a longas documentais. Concorreram com o filme de Carelli A Suplicação- Vozes de Chernobyl, de Pol Cruchten; Semente: A História Nunca Contada, de Taggart Siegel e Jon Betz e O Jabuti e a Anta, dirigido por Eliza Capai.

Martírio, de Vincent Carelli tem duas horas de duração e mostra a progressiva situação de genocídio vivido pelos índios Kaiowa e Guarani. O filme desperta a pergunta: “Como enfrentar o capitalismo que também é responsável pela destruição cultural, além da física e outras dimensões que afligem os indígenas?” O longa venceu recentemente o Janela Internacional de Cinema do Recife, que terminou no início de novembro.

Leia Mais
O diário do cineamazônia por Brasil, Peru e Bolívia

Martírio é o segundo filme da trilogia ainda em andamento de Vincent Carelli, indigenista, documentarista, criador do projeto Vídeo nas Aldeias. O primeiro filme foi Corumbiara, o segundo, Martírio, e o final será Adeus, Capitão. Essa trilogia é ancorada no longo trabalho investigativo de Carelli, filmes produzidos ao longo de três décadas, onde a visão dele da luta indígena é apresentada junto de profundas mudanças no país.

Além do documentário de Carelli, o Cineamazônia premiou mais 14 obras, nos formatos curta e média metragem. A edição 2014 teve mais de 400 filmes inscritos. Para a mostra competitiva foram selecionadas 44 produções.

O festival foi marcado por intensa carga política. Logo na noite de abertura, no dia 22, o ator Marcos Winter- mestre de cerimônias- lembrou mulheres que estão ameaçadas de morte por conta de conflitos agrários em Rondônia e pediu um minuto de silêncio em memória de Nilce Magalhães, liderança comunitária assassinada no início do ano. Nilce era ferrenha opositora das obras de barragem ocasionadas por duas hidrelétricas construídas em distritos de Porto Velho.

Uma produção do centro-oeste brasileiro abriu a edição 2016 do Cineamazônia. Dirigido por Marcelo Santiago e Rodrigo Piovesan e tendo no elenco nomes como Nelson Xavier e Marcos Winter, ‘Rondon, o Desbravador’ mostrou mais uma vez a importância da descentralização na produção do cinema brasileiro, a partir de diversas iniciativas federais. É a primeira produção mato-grossense que consegue furar barreiras e incluir-se no circuito brasileiro de lançamentos mundiais. O filme foi o convidado para a abertura do festival.

O mesmo tom de manifestações sociais e políticas foi usado nas noites posteriores. O militante indígena Aliton Krenak foi homenageado e seu histórico discurso durante a Constituinte, em 1987 foi projetado. Krenak lembrou os tempos atuais de ruptura democrática, em outro discurso emocionante.

Na programação paralela ‘É de poesia que o mundo precisa’, o escritor Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, destacou que o mundo precisa acabar com a intolerância racial, enquanto o poeta português José Luiz Peixoto lembrou o fenômeno das diásporas ocasionadas pelos conflitos na Europa e na África.

Cineamazônia prestou homenagem a Krenak. (Divulgação).
Cineamazônia prestou homenagem a Krenak. (Divulgação).

‘Precisamos de mais generosidade’, disse o escritor. O festival homenageou também o ator Milton Gonçalves, que lembrou a própria trajetória, marcada por intenso ativismo social e político. Cineamazonia, 14a EDIÇÃO, teve o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet e apoio Cultural da Prefeitura de Porto Velho, Sejucel e Unir – Universidade Federal de Rondônia.

Leia Mais
Filme foi inteiramente realizado durante este isolamento social (Foto: Divulgação)
“Ar”: Curta pernambucano de terror LGBTI+ tem estreia no YouTube