BELO BALAIO
2013 foi o ano de desconstruir e inventar gêneros, conhecer novos ídolos e celebrar retornos. Com vocês, os melhores álbuns deste ano, brasileiros e estrangeiros

Pela Equipe da Revista O Grito!

Veja nosso especial de melhores de 2013
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Bad Trip Simulator #3
[Independente]

A banda de Brasília pegou baião, forró, frevo e choro e deu a todos os ritmos uma roupagem experimental. E conseguiram um resultado que não esvaziou a essência desses ritmos tradicionais. Destaque para faixas que remetem ao Nordeste como “Sodoma e Gonzaga” e “Forró Mata”.

Capa Marcelo Jeneci

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De Graça
[Som Livre]

Jeneci se mostrou um artista que não tem medo de se reinventar e apostar em sonoridades alheias ao seu trabalho anterior, que o lançou ao estrelato. Com produção de Kassin e Adriano Cintra, De Graça traz experimentos com eletrônica e letras mais pessoais, em que exorciza a sua recente separação.

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Virgins
[Kranky]

O produtor de música eletrônica canadense Tim Hecker retornou ainda mais sofisticado em seu sétimo trabalho. O tom misterioso e “dark” continua dando o tom, mas Virgins aponta para um momento mais tranquilo do artista, com temas mais afetuosos, como uma pequena chama na escuridão. É um disco imersivo, para escutar sempre completo, nunca apenas uma faixa.

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APANHADOR SÓ – Antes Que Tu Conte Outra
[Independente]

A banda Apanhador Só não se rendeu à tentação de disputar mercado no pop brasileiro, que vive em inércia. Ao contrário, escolheu o caminho mais difícil ao apostar em um som experimental, difícil, mas sempre recompensador ao ouvinte, caso desse novo Antes Que Tu Conte Outra, feito através de financiamento coletivo.

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NICK CAVE & THE BAD SEEDS – Push The Sky Away
[Bad Seeds Ltda}

O cantor australiano Nick Cave retornou com sua banda The Bad Seeds para mais um disco que em celebra seu estilo inconfundível de rock permeado de terror. Sua voz continua assombrada, grave, mas aqui embalando um pouco mais de lirismo.

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THE KNIFE – Shaking The Habitual

A misteriosa dupla sueca The Knife, que quase nunca mostra o rosto, fez um trabalho ainda mais ousado que os anteriores ao usar sua dance music batidão para discutir questões de gênero e sexualidade. Para embalar tudo isso veio um trabalho estético que vai desde a capa até os clipes, passando pelas fotos de divulgação. Performance completa.

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JUSTIN TIMBERLAKE – The 20/20 Experience[RCA]

Apesar de uma segunda parte decepcionante, Justin Timberlake surpreendeu o pop com esse The 20/20 Experience, disco em que desafia estatutos do pop, como as faixas curtas e refrões fáceis. Temos aqui um artista que soube reprocessar bem suas referências – Michael Jackson, R&B clássico, jazz – em um trabalho que deve servir como parâmetro em seu segmento por muitos anos.

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– As Plantas Que Curam
[Other Music]

O ano foi prolífico para a psicodelia no Brasil e o maior representante foi o Boogarins, dupla de Goiânia, que agora se prepara para uma carreira internacional. Fernando Almeida e Benke Ferraz fazem um som com muita referência de Os Mutantes, mas trazem diversos elementos que dão autoralidade ao trabalho, uma graça que mostra que eles sabem manejar bem a influência sem parecerem submissos à ela. Uma das melhores surpresas desse ano.

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MY BLOODY VALENTINE – mbv
[Independente]

Aguardado desde 1991 quando lançaram o clássico Loveless, esse novo trabalho do My Bloody Valentine pode soar saudosista por causa do estilo ‘shoegaze’ inconfundível do grupo, que permaneceu intacto por mais de duas décadas. Mas é bom não se enganar. A banda retorna cheia de surpresas em meio às diversas camadas de guitarras e mostra que mbv é uma evolução.

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CHVRCHES – The Bones Of What You Believe

O trio de synth-pop escocês CHVRCHES conseguiram inovar em um gênero sempre tido como nostálgico. Os vocais de Lauren Mayberry e as batidas cheias de diferentes tonalidades mostram que esse disco de estreia fez valer todo o hype que receberamm.

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RUN THE JEWELS – Run The Jewels
Fool’s Good

A dupla formada por El-P e Killer Mike é uma das melhores parcerias do hip hop hoje. Eles decidiram criar esse projeto esse ano depois de El-P atuar como produtor do ótimo R.A.P. Music, de Mike. O disco em conjunto dos rappers trazem peso e letras sobre paranóia, racismo e política. Eles estão anos-luz do egocentrismo de muitos rappers e superaram há tempos velhos temas cansados que ainda hoje aparecem por aí.

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HAIM – Days Are Gone
[Columbia]

As três irmãs californianas, que tocam juntas desde criança, chamaram atenção este ano com um trabalho roqueiro, com pitadas de R&B e pop cheio de frescor, que traz boas letras, melodias que grudam no cérebro e muita, mas muita atitude. Uma das melhores estreias de 2013.

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DEAFHEAVEN – Sunbather
[Deathwish Records]

O segundo disco dessa banda de São Francisco de rock pesadíssimo uniu o peso das guitarras do black metal com a melancolia do post-rock. Um clássico que subverte gêneros dos quais é associado para criar uma música com beleza e também delicadeza em meio aos urros e guitarras distorcidas.

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12
CHANCE THE RAPPER – Acid Rap
[Independente]

Codinome de Chancelor Bennett, Chance The Rapper foi o nome surpresa deste ano no hip hop. Um pouco à margem do que acontece nos grandes centros do rap americano, ele conseguiu desenvolver um estilo que está em órbita em relação ao que tínhamos ouvido nos últimos dois anos.

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SAVAGES – Silence Yourself
[Pop Noire / Matador]

O Savages, banda formada apenas por mulheres, guarda um tipo de feminismo ao melhor estilo P.J. Harvey, de garotas fortes, que não precisam usar o apelo sexy como força. O som tem muita influência do post-punk inglês e traz canções de vocal bem intenso e uma bateria bem marcada que fez de Fay Milton uma das estrelas do grupo. Bela estreia.

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10
DAFT PUNK – Random Access Memories
[Columbia]

Maior case do lançamento de um disco de 2013, o Daft Punk surpreendeu o mundo do pop ao se reinventar bebendo em fontes de décadas passadas. Para isso, chamou nomes como Nile Rodgers e Giorgio Moroder para beber direto da fonte. A dupla robótica francesa criou um clássico da música eletrônica ao imprimir sua assinatura em um trabalho sofisticado que faz um passeio por diversas facetas do gênero.

Foto: Reorodução/TheFader

Foto: Reorodução/TheFader

09
M.I.A. – Matangi
[Interscope]

O novo trabalho de M.I.A. demorou mais de um ano para sair, mas correspondeu às expectativas dos fãs, que aguardavam um trabalho mais pessoal da cantora. Sem deixar de lado sua posição de ataque, a rapper destoa críticas para todo lado: o preconceito contra refugiados, o conservadorismo que a atacou após mostrar o dedo do meio do Super Bowl, o machismo no Oriente Médio, a ostentação do hip hop mainstream, entre outros assuntos. No meio de tudo isso, um som mais calcado no dub e reggae e mais dançante que seu trabalho anterior.

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08
EMICIDA – O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui
[Laboratório Fantasma]

O primeiro álbum de estúdio do rapper paulista Emicida tira sua força da história de vida do músico, como no hit “Crisântemo”, que fala sobre a perda do pai, ainda criança. O trabalho coloca o hip hop no centro da relevância no pop nacional e é um dos poucos a romper barreiras das audiências sem perder a essência. O tom agressivo das rimas convive bem com as influências do samba e rock, que permeiam o álbum.

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07
PASSO TORTO – Passo Elétrico
[YB Music]

Kiko Dinucci (guitarra), Marcelo Cabral (baixo acústico), Rodrigo Campos (guitarra e cavaquinho) e Romulo Fróes (violão) tem como missão tirar o samba da reverência ao qual foi enjaulado. No novo disco Passo Elétrico, o quarteto aprofundou ainda mais a empreitada em um trabalho vigoroso, que coloca peso e distorção no gênero, trazendo novos significados ao ritmo que ninguém jamais ousou fazer.

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06
Modern Vampires Of The City
[XL]

Modern Vampires Of The City trata de temas que trazem mal estar ao homem moderno, tais como mortalidade, religião, dificuldade em se relacionar, velhice, ansiedade. Há também citações à política e relação das pessoas com a metrópole (no caso deles, Nova York). Ezra Koenig e Rostam Batmanglij, autores da maior parte das letras criaram uma obra-prima ao captar o espírito do tempo sob uma perspectiva global.

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05
RODRIGO AMARANTE – Cavalo
[Som Livre]

O hermano Rodrigo Amarante decidiu arriscar tudo no seu primeiro disco solo. Abandonou as melodias amenas, assobiáveis por uma proposta melancólica, sombria, minimalista. Como disse Maurício Ângelo em sua crítica, “Amarante é o Mersault de Albert Camus. É Nick Drake imerso na ressaca do tropicalismo. Como ele declara na própria carta que escreveu para o disco, se reconheceu no vazio, nas saudades eclipsadas, saiu de si para poder enxergar-se melhor, o duplo, o outro, o meio entre diversos mundos, o Cavalo, afinal.”

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04
Reflektor

Os canadenses do Arcade Fire abraçaram a dance music e a música tradicional haitiana para um trabalho monumental que remete ao mito de Orfeu e Eurídice para falar do amor nos tempos de redes sociais. Sonoricamente, Reflektor é o disco do grupo mais rico e diverso, que aponta para um caminho ainda incerto, mas com boas chances de renovação

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03
Yeezus

Depois de toda a megalomania do disco anterior, My Beautiful Dark Twisted Fantasy, um belo e clássico trabalho que é o ápice da pretensão de Kanye, o rapper decidiu se despir de toda a grandiloquência nesse novo álbum. Minimalista e industrial, traz peso e distorção, com batidas secas para falar de política e também sobre sua vida pessoal. Apesar de não ter capa nem encarte, o ego continua no volume máximo, o que faz parte do marketing do cantor, vide a faixa “I Am God”. Ao sair da zona de conforto, Kanye West mostra que tem hoje poucos concorrentes diretos.

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02
– Anxiety
[Software]

Anxiety é um R&B filosófico com pitadas de pessimismo embalado com toque de revival dos 80. Formado por Arthur Ashin, artista de 30 anos natural do Brooklyn, NY, o álbum tenta descrever sentimento do mundo atual, cheio de ansiedade e paranóia, ao mesmo tempo em que cria temas dramáticos, com alguma experimentação. Um dos trabalhos mais ousados e inovadores do ano, a apostar em um gênero que se sempre se apoiou no tom sexy, mas que recentemente vem sendo desconstruído.

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01
– Settle
[Island]

2013 foi o ano em que o dance retomou sua relevância dentro da música pop. E ninguém trabalhou nessa reinvenção do gênero melhor que o Disclosure. A dupla inglesa de irmãos recém-saídos da adolescência trouxe vigor ao estilo com faixas que foram se transformando em hits ao longo do ano, como é o caso de “White Noise”, “When The Fire Starts To Burn”, “Boiling”, entre outras, sempre com colaborações. Sem deixar de fazer reverência ao passado, Guy e Howard se mostraram cientes que são um capítulo novo. Settle tem o zeitgeist dos dias de hoje, mais pulverizado e incrivelmente colaborativo.

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