QUADRINHOS PLURAIS
2013 foi um dos melhores anos para os quadrinhos brasileiros. Em nossa lista, diversos títulos mostram a diversidade do cenário atual dos quadrinhos. Há ainda superproduções europeias, inovações do mainstream americano e mangá com temática inusitada

Veja nosso especial de melhores de 2013
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Top 20 Filmes

Top 25 discos

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GRAPHIC MSP: CHICO BENTO – PAVOR ESPACIAR, de Gustavo Duarte
[Panini]

Gustavo é conhecido por suas HQs “mudas”: Có, Táxi, Birds e Monstros. O autor compensa a ausência da palavra escrita com uma arte expressiva (corporal e facial) acima da média. Mesmo sendo “quase muda” – 33 páginas das 68 de história não têm balão de fala – Pavor Espaciar herda essa técnica. Uma das diversões da leitura é acompanhar as sutis reações dos personagens; outra é procurar as várias referências à cultura pop, ao universo de Mauricio de Sousa e aos personagens do próprio Gustavo Duarte. – Jota Silvestre (leia resenha).

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, de
[Zarabatana]

O quadrinista canadense segue com seu projeto autoral de reportar suas impressões sobre outros países em forma de quadrinhos. O novo Crônicas de Jerusalém traz um olhar distanciado sobre o complicado conflito entre israelenses e palestinos e a complexidade da vida do lugar.

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OS COMPANHEIROS DO CREPÚSCULO, de Bourgeon
[Nemo]

Os brasileiros reaprendem a curtir a HQ europeia com os lançamentos da Nemo. Os Companheiros do Crepúsculo é uma das obras mais monumentais dos quadrinhos franco-belga e conta a história de três personagens na Idade Média. O detalhismo do desenho de Bourgeon e o apuro histórico renderam diversos prêmios, como o prestigiado Angoulême.

pintinho

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, de Alexandra Moraes
[Lote42]

Conhecida na internet, a série O Pintinho se mostrou confortável em sua versão livro pela Lote42. A obra, feita no Paint, traz diálogos prosaicos para falar de temas atuais e discutir o estado das coisas da sociedade brasileira atual.

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MARY, de
[Balão Editorial]

Magno Costa é uma das revelações recentes do cenário de quadrinhos nacionais. Sua obra Mary conta a história de uma mulher misteriosa e usa uma narrativa tensa para falar de medo e intolerância.

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ENTREQUADROS – CIRANDA DA SOLIDÃO, de Mário Cesar
[Balão Editorial]

São poucas as obras que exploram temáticas LGBT nos quadrinhos brasileiros. Por isso o trabalho de Mario Cesar é tão importante para a diversidade sexual dentro das HQs nacionais. Ciranda da Solidão tem drama, comédia e romance em uma série de contos que tanto emocionam quanto divertem.

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VALENTE POR OPÇÃO, de Vitor Cafaggi
[Panini]

Poucos artistas conseguem imprimir uma marca e Vitor Cafaggi, com pouco tempo de carreira, já é um desses nomes. Valente, seu personagem mais conhecido, tem um carisma raro e deve conquistar muitos mais fãs no futuro. A obra traz humor e situações reais no cotidiano de adolescentes brasileiros apaixonados.

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THERMAE ROMAE, de
[JBC]

A autora Mari Yamazaki criou um belo mangá que foge do convencional do gênero ao falar da paixão dos romanos e dos japoneses pelos banhos. A obra faz uma viagem no tempo para retratar a relação humana com a banheira e o que isso representou para as sociedades modernas. A obra chegou às livrarias brasileiras depois de fazer sucesso no Japão e de concorrer ao Angoulême.

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O AZUL É A COR MAIS QUENTE, de Julie Maroh
[L&PM]

A HQ de Julie Maroh chegou aqui colado ao sucesso do filme de mesmo nome, que venceu a Palma de Ouro em Cannes. A HQ que deu origem ao longa traz algumas diferenças, mas tem a mesma coragem no modo sincero como mostra a relação lésbica entre as estudantes Clementine (no filme chamada de Adèle) e Emma. Um trabalho com uma ótica bem feminina, o que é raro, e muito bom de se ver.

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TETRALOGIA MONSTRO, de
[Nemo]

A Tetralogia Monstro se passa em um mundo futurista, assolado por poluição e conflitos. É uma espécie de quintessência do trabalho do iugoslavo Enki Bilal, que sempre imaginou um cenário aterrador acometido pela degradação do meio-ambiente. Tudo misturado a tiradas filosóficas e políticas, além de seu desenho carregado de drama a cada painel.

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GRAPHIC MSP – TURMA DA MÔNICA: LAÇOS, de Lu e Vitor Cafaggi
[Panini]

Novos talentos dos quadrinhos atuais, os irmãos Vitor e Lu Cafiggi imprimiram seu estilo fofo e um tanto onírico para os mais icônicos personagens da cultura pop nacional, a Turma da Mônica.

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AS COISAS QUE CECÍLIA FEZ, de Liber Paz
[Independente]

O quadrinista Liber Paz conseguiu fazer uma HQ envolvente usando situações banais e pessoas comuns que poderiam ser eu ou você. Ainda por cima soube explorar a intimidade e sexulidade dos personagens sem parecer banal ou apelativo.

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BATWOMAN, de J.H. Williams III
[Publicado na revista mensal A Sombra do – Panini]

Por mais um ano, a série Batwoman, publicada no Brasil em A Sombra do Batman, entra na lista de melhores do ano. É uma HQ que ainda segue desafiando lógicas de estilo no mercado mainstream de quadrinhos: trama permeada de romance gay assumidíssimo, tom feminino e páginas que mais parecem projetos experimentais de design. Um dos melhores motivos para se ir às bancas todos os meses.

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DEMOLIDOR, de Mark Waid e
[Panini]

Demolidor, um dos personagens cult das HQs Marvel ganhou uma nova roupagem nas mãos de Mark Waid. O autor foi na direção oposta do estilo dark e cheio de violência que caracterizou a fase de Frank Miller com o personagem e mais tarde no suspense de Brian Michael Bendis. No lugar, entregou um herói divertido, em aventuras mais diretas e leituras fluídas. Talvez todos estivéssemos sentindo falta de uma boa história de super-herói como essa. Venceu o Eisner de melhor nova série.

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, de Loisel
[Nemo]

Peter Pan, um mito que já foi tantas vezes revisitado mas parece nunca perder o fôlego, ganha uma dimensão ainda mais profunda nas mãos de Loisel. Um verdadeiro deleite visual. – Tarsis Salvatore (leia a resenha)”.

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ESCALPO, de De Jason Aaron e R. M. Guéra
[Publicado em Vertigo – Panini]

Escalpo é hoje um dos maiores destaques do título mensal Vertigo. Criada por De Jason Aaron e R. M. Guéra, a série trouxe uma trama intricada, repleta de violência, sexo e drogas em um ambiente totalmente estranho ao leitor brasileiro, uma reserva indígena envolta em corrupção nos EUA. Com um tom realista e frio a obra traz ainda uma narrativa que prende o leitor a cada nova edição.

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O BOXEADOR, de Reinhard Kleist
[8Inverso]

Kleist tem traço preciso e narrativa fluida. Capricha nos enquadramentos e ousa na diagramação. Isso tudo aliado a uma história sensível faz de O Boxeador uma leitura para lá de agradável. – Jota Silvestre (leia resenha)

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, de Rafael Sica, , Elcerdo e Stêvz
[Beleléu]

A HQ Friquinique reúne em um só volume os talentos de Rafael Sica, Eduardo Medeiros, Elcerdo e Stêvz, nomes que compartilham o humor nonsense e o traço cheio de expressionismo. Os autores celebram o mundo dos freaks e situações absurdas e o trabalho ainda traz um design primoroso com uma capa que se transforma em pôster. Um dos grandes lançamentos de 2013.

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REMY, de Diogo Bercito e
[Dead Hamster]

A HQ Remy foi baseada na história pessoal do autor Diogo Bercito, que tinha bronquite asmática quando criança e era assustado por sua mãe, que dizia que ao inalar ele tinha um gato dentro de si, miando. A quadrinista Júlia Bax deu vida a essa memória em uma HQ que chama atenção pela narrativa um tanto surrealista.

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VIZINHOS, de Laerte
[Narval Comix]

Em sua primeira HQ longa em muitos anos, Laerte nos trouxe um conto moderno sobre as tensões da vida em sociedade nos dias de hoje. Vizinhos é parte do projeto 1000, criado por seu filho Rafael Coutinho. Uma obra tensa, em papel vermelho-sangue, que mostra de forma tensa a linha tênue que nos coloca em estado de violência.

O AZUL INDIFERENTE DO CEU - capa

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O AZUL INDIFERENTE DO CÉU, de Shiko
[Marca da Fantasia]

O Azul Indiferente do Céu é um álbum de poucas palavras em que o autor explora a violência das grandes metrópoles e é baseada em uma história real que aconteceu em 1987. Na ocasião, o defensor dos direitos humanos e ativista colombiano Héctor Abad Gomez trazia um poema de Jorge Luis Borges, “Epitáfio” no momento de sua morte. A HQ cria ficção em cima desse fato ao mostrar a história de um fotógrafo que presencia o crime. – Paulo Floro.

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CAMPO EM BRANCO, de Emilio Fraia e DW Ribatski
[Quadrinhos na Cia/Cia das Letras]

Uma HQ sobre o poder e a fragilidade da memória. O escritor Emilio Fraia e o desenhista DW Ribatski criaram essa HQ sobre dois irmãos que se reencontram e decidem refazer uma viagem de infância. Como toda memória, o livro é cheio de abstrações, permeados por momentos de silêncio, o que ajuda a contemplar a bela arte de DW.

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GRAPHIC MSP: PITECO – INGÁ, de Shiko
[Panini]

O paraibano Shiko usou o homem das cavernas de Maurício de Sousa para criar uma HQ que escavas as referências de sua terra natal, mais especificamente a Pedra da Ingá, um dos monumentos pré-históricos mais conhecidos do Brasil. Ele ali isso a um desenho feito em aquarela que se comunica de alguma maneira com as histórias clássicas de super-heróis. É a melhor obra da série Graphic MSP – que reimagina personagens da Turma da Mônica – desde Astronauta, de Danilo Beyruth.

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VOCÊ É A MINHA MÃE?, de Alison Bechdel
[Quadrinhos na Cia/Cia das Letras]

A quadrinista e cartunista Alison Bechdel continua sua investigação familiar em mais uma HQ autobiográfica Você É A Minha Mãe, obra que foca na relação com sua mãe. Trata-se da continuação do sucesso Fun Home, lançado por aqui pela Conrad, em que Bechdel conta a história de seu pai, um gay enrustido que morre em um acidente. Aqui, a autora adiciona mais complexidade e faz uma obra mais dura que a anterior, que tinha um tom reconciliador. Nos vários capítulos do livro ela explora a psicanálise para entender melhor a relação com sua mãe e como isso afeta sua vida e seu trabalho. O leitor acaba fazendo parte daquelas sessões e sai ao final do livro com novos entendimentos sobre família, amor e gênero.

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POBRE MARINHEIRO, de
[Balão Editorial]

Uma HQ curta, de tamanho diminuto, de história simples e traço minimalista é a melhor HQ do ano em nossa lista. Pobre Marinheiro, de S.A. Harkham tira sua força no bom uso que faz da linguagem narrativa dos quadrinhos para emocionar o leitor. É a melhor obra lançada em 2013 a melhor utilizar todas as possibilidades do gênero. A história mostra a vida do casal Rachel e Thomas, que vivem em uma casinha isolada. Tudo muda quando Jacob, irmão de Thomas aparece e o leva em uma aventura nos mares.

A trama, contada em um quadro por página, fala das escolhas que tomamos e de como isso afeta não apenas nosso futuro mas as pessoas ao nosso redor. Não é difícil se emocionar com o desfecho, incrivelmente triste. Baseado livremente no conto En Mer de Guy de Maupassant, a HQ faz parte da coleção Zaug, da Balão Editorial, que tem a seguinte premissa: “apresenta livros sobre a tristeza da derrota e a maneira de cada um superá-la”.

Pobre-Marinheiro

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