Foto: Divulgação.
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O poeta mato-grossense Manoel de Barros morreu aos 97 anos em Campo Grande nesta quinta (13). Ele estava internado há uma semana por causa de uma cirurgia no intestino.

Nascido em 1916, Barros escreveu 18 livros de poesia, livros infantis e também relatos autobiográficos. Ele foi o vencedor do prêmio Jabuti em 1989 com O Guardador de Águas e O Fazedor do Amanhecer, de 2002.

Ligado à Geração de 1945, ele acabou criando um estilo próprio muito marcado pela busca do neologismo, sinestesia, o que lhe rendeu comparações com Guimarães Rosa. Seu trabalho mais conhecido foi Livro Sobre Nada, de 1996. Ele era tido como um dos maiores poetas brasileiros contemporâneos. Ele era chamado de “poeta das miudezas” e “poeta da ternura”.

Ele tem também uma antologia publicada pela Leya, Manoel de Barros – Poesia Completa. Acredita-se que o poeta deixou uma obra ainda inédita considerável. Sem escrever há anos, ele vivia com diversos problemas de saúde e se isolou. No entanto assinou contrato para ser editado pelo selo da Alfaguara, da Objetiva.

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Veja alguns trechos de seus poemas:

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

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