O curador da Mostra de Tiradentes, Cleber Eduardo (Foto: Leo Lara/Divulgação)
O curador da Mostra de Tiradentes, Cleber Eduardo (Foto: Leo Lara/Divulgação)

CELEBRANDO ERROS E ACERTOS
Curador de Tiradentes abre espaço “tentativas criativas” de jovens diretores e diz que “novíssimo cinema brasileiro” é um termo negativo

Por Alexandre Figueirôa
De Tiradentes (MG)

O crítico, pesquisador e professor Cleber Eduardo é um dos responsáveis pela seleção de filmes de longa metragem da Mostra de Cinema de Tiradentes. Há sete anos realizando esta tarefa, para a edição de 2013, dos 105 filmes inscritos, 38 foram para a Mostra Aurora, onde apenas sete foram selecionados. Ele nos conta um pouco sobre este trabalho e do significado de Tiradentes para o cinema brasileiro.

O GRITO! Qual a contribuição da Mostra de Tiradentes na cena audiovisual brasileira atual?
CLEBER – É a abertura de espaço de exibição e discussão para filmes que não são prestigiados em outros eventos. Nós recebemos principalmente obras de jovens realizadores e filmes de baixo orçamento. E o mais importante é a liberdade deste espaço. Aqui nós aceitamos erros, equívocos, pois o mais importante é vermos estas tentativas criativas sem modelos estabelecidos acontecerem. Há um lado positivo e outro negativo. Pode haver dispersão ou rarefação dos conflitos, mas isto é um processo normal. O que vale é colocarmos isto em foco e em discussão numa perspectiva crítica.

O que você acha da marca “novíssimo cinema brasileiro” que vem sendo usada sobretudo por esta geração de jovens realizadores presentes em Tiradentes?
Para mim é um problema. O cinema brasileiro não sofreu nenhuma ruptura nos últimos 20 anos. É uma expressão pouco feliz, pois não contempla as particularidades e diversidade da nossa produção. É muito mais interessante buscar uma categorização a partir de estilos ou de outras marcas.

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Uma mostra de muitas mostras

A Mostra de Tiradentes com sua consolidação conseguirá manter-se sempre inovadora?
Este é um risco que corremos e lutamos o tempo inteiro contra isto. No trabalho de curadoria tentamos não nos tornarmos uma espécie de bossa nova de uma nota só. Tentamos quebrar o excesso de identidade se não daqui a pouco vai ter gente fazendo filme só para colocar em Tiradentes, por isso sempre procuramos novas possibilidades, todavia isto depende dos files realizados. O ano de 2013 felizmente foi um ano com uma boa safra de filmes, muitos com propostas bem radicais.

E o que você observa nos filmes produzidos em Pernambuco exibidos em Tiradentes?
Eles me chamam a atenção por investirem na subjetividade, mas sem perderem a dimensão social. Os realizadores falam do seu mundo, dos espaços em que vivem mas não esquecem das questões de classe na observação do que os cerca.

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