No dia do aniversário do Recife, este domingo (12), o Museu da Cidade do Recife inaugura uma exposição que comemora o bicentenário da Revolução de 1817, uma das primeiras do Brasil a lutar por independência e ideias republicanos.

A expo “1817 – Revolução Republicana” fica em cartaz durante um ano e toma praticamente todos os espaços do museu, localizado no Forte das Cinco Pontas, um dos locais emblemáticos da revolta. A abertura acontece às 16h e conta com lançamento de livros e apresentação de uma composição musical própria.

A exposição é dividida em cinco eixos e possui mediadores para receber escolas e espectadores em geral. Abrindo a visitação, a sala “Revoluções” mostra, através de textos e imagens históricas, o cenário que fez ebulir os ideais revolucionários. O ponto de partida é uma projeção com os nomes dos 150 homens presos no Forte de São Tiago das Cinco Pontas. A pesquisa aborda os ideais que moveram as revoluções em vários cantos do mundo, como a Revolução Francesa, a independência dos Estados Unidos e outras ações libertárias na América. “É uma exposição de ideias”, define a diretora do MCR e organizadora da exposição, Betânia Corrêa de Araújo.

No segundo eixo, o visitante faz um passeio ao Recife do início do século XIX, então chamado de Vila de Santo Antonio do Recife de Pernambuco. Os desenhos do pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret e do viajante e escritor francês Louis-François de Tollenare foram utilizados na construção de vídeos para mostrar ao visitante o cotidiano de um vila no período da revolução.

O terceiro eixo, chamado “Dezessete”, é dedicado à Revolução. Estão expostos documentos e objetos históricos pertencentes ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), entre eles, a espada do Leão Coroado e a primeira prensa que chegou ao Recife na primeira metade do século 19. A exposição exibe também fac-símiles do Preciso (documento para nortear a ação do governo) e o manuscrito da Lei Orgânica escrita durante a república implantada no Pernambuco da época – o território se estendia pelo hoje estado de Alagoas e avançava em áreas que atualmente são da Bahia.

Em seguida, no quarto eixo, Cidade Memória, 12 vídeos com depoimentos de historiadores mostram os lugares onde a revolução se fez presente de forma mais próxima. São locais do Recife atual exibidos em curtos vídeos – em cada deles, um historiador comenta o episódio ali vivido. “A cidade não é só o que se vê, mas também essas memórias”, reflete Betânia. Outros locais são o Seminário de Olinda, o Quartel do Exército (onde hoje se localiza o prédio do INSS, na Av. Dantas Barreto) e o Forte do Brum, onde se refugiou o então governador da capitania, Caetano Pinto.

“A revolução foi a ideia e também a concretização, única, da separação da coroa portuguesa. O movimento teve a ideia de romper o status quo vigente”, afirma o historiador e professor Sandro Vasoncelos, um dos autores da narrativa histórica da exposição ao lado do também professor e historiador Marcus Carvalho e do pesquisador e historiador Mateus Samico.

Lançamentos

Junto com a exposição, há o lançamento de dois livros, às 17h: o ABCdário da Revolução Republicana de 1817 e a reedição da História da Revolução de Pernambuco em 1817. Organizado por Betânia Correa de Araújo em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), o ABCdário conta a história da revolução através de quase 70 verbetes.

Há muitos anos fora de catálogo, História da Revolução de Pernambuco em 1817 foi escrito no século 19 por Francisco Muniz Tavares, religioso que fez parte da ação e que chegou a ser preso no Forte das Cinco Pontas. A obra tem notas do historiador Oliveira. A reedição, publicada pela Cepe, é feita a partir da segunda edição, publicada em 1969, e que serviu também de guia para a mostra.

A visitação fica aberta de terça a domingo, das 9h às 17h, até 5 de março de 2018. O Museu da Cidade do Recife fica no Forte das Cinco Pontas, São José, no Recife. A entrada é gratuita.

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