Lia fechou o primeiro dia do festival. Foto de Tiago Calazans.

No Ar Coquetel Molotov, 18ª edição
Teatro Guararapes, Olinda

Foram quase dois anos sem que os acordes tenham ressoado, de maneira física, do palco para o público, em uma agitação que parece sustentar a própria ideia de cena, que tem a ver com comunidade, comunhão, afeto, encontro. Os festivais, parecem então, serem vitrine, mas também motores da cultura. Ver o No Ar Coquetel Molotov ao vivo mais uma vez foi emocionante, como achei que seria, mas além disso esse retorno pareceu reafirmar a importância de eventos como esse em nossas vidas, na vida da cidade. Após uma pandemia que nos tirou tanto, recuperar esse espaço de celebração significa muito.

Mas, ainda que o retorno presencial traga uma sensação de “volta à normalidade”, a própria estrutura que possibilitou o evento, que aconteceu no Centro de Convenções/Teatro Guararapes, mostra que ainda estamos ainda distantes disso. Cadeiras com avisos de distanciamento social, avisos de uso de máscara e outros protocolos, álcóol em gel abundante, minuciosa checagem antes da entrada. Seguindo os protocolos de enfrentamento à pandemia do Governo de Pernambuco, o acesso ao festival só foi possível com comprovante de vacinação com as duas doses completas, dose única, ou dose +exame RT-PCR negativo (com 48h) ou antígeno nas últimas 24h.

Mas é um começo. Um recomeço. E por isso é também simbólico que o No Ar tenha retornado a um teatro, espaço onde iniciou suas atividades, 18 anos atrás.

No distante ano de 2004, em um outro Brasil no mesmíssimo Recife, estávamos todos assistindo ao show do Teenage Fanclub no Teatro da UFPE, casa do Coquetel Molotov por muitos anos a partir dali. Em seguida, o evento passou a acontecer em lugares bem maiores, fora de teatros, como a Coudelaria Souza Leão e o Caxangá Golf Club. Mas, em 2009, o evento aconteceu justamente neste Teatro Guararapes, para onde agora retorna. Sempre elogiei a inovação do No Ar em fazer um festival de música no teatro – a qualidade sonora ganha muito com isso – e para esta retomada o teatro fez muito sentido.

Novamente na dianteira, o No Ar é o primeiro festival pernambucano a realizar shows presenciais, nesse espírito de transição para o pós-pandemia. No primeiro dia, os shows de Boogarins com Céu, Lia de Itamaracá, Jéssica Caitano com Luana Flores e Mateus Aleluia emocionaram o público nesse reencontro. Neste domingo (13), o No Ar ainda traz shows do fenômeno Marina Sena, Luiz Lins, Mulungu, Pierre Tenório, Mum-Ha e Romero Ferro.

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Todas as fotos: Divulgação.

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