Série é estrelada por Rodrigo Santoro. (Divulgação).

Nova minissérie histórica, Sem Limites, é uma aventura genérica no mar

A série conta a história da expedição de volta ao globo comandada por Magalhães, mas se furta em abordar o colonialismo de maneira realista

Nova minissérie histórica, Sem Limites, é uma aventura genérica no mar
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Sem Limites
Simon West
ESP, 2022, 16 anos/ Amazon Prime Video
Com Rodrigo Santoro e Álvaro Morte

Com postura de filmes de ação, a mais nova minissérie espanhola da Amazon Prime Video, Sem Limites, conta a história da primeira viagem de barco ao redor do mundo e chegou ao streaming na última sexta-feira (8).

Em seus seis episódios, a série explora de maneira veloz e simplificada como o comandante português Fernão de Magalhães (Rodrigo Santoro) convenceu o rei da Espanha a financiar sua expedição de volta ao mundo, após o reino de Portugal não permiti-lo de realizar a façanha. Assim, jurando lealdade à Espanha, país inimigo de sua terra natal, Magalhães junta sua tripulação e parte para a imensidão do mar com o desejo de encontrar riquezas inimagináveis e navegar como nunca antes, dando uma volta ao globo. Já a partir do segundo episódio, a trama segue uma linha de narrativa composta por momentos de ação, onde Fernão e seus tripulantes passam por armadilhas, perigos ao mar, traições e conflitos com os povos das terras por onde passam.

Fernão, juntamente com o navegador Elcano (Álvaro Morte), são constantemente retratados como exploradores de grande humanidade, que protegem os mais fracos e não querem criar problemas para os povos nativos que encontram. Com essa escolha de contar a história, a minissérie se torna romântica e irreal, afinal, na verdadeira expedição, os comandantes da aventura marítima matavam e furtavam com a ideologia de serem o povo mais evoluído, além de forçarem suas crenças religiosas e sociais. 

Para além da escolha de não retratar o colonialismo de maneira mais realista, a obra parece justificar os acontecimentos sempre culpando outros tripulantes da tropa de navios, colocando os protagonistas no local de justiceiros. 

Ao não retratar o colonialismo de maneira mais realista, a obra parece justificar os acontecimentos reais. (Foto: Divulgação)

A expedição verdadeira durou muito tempo e foi de grande complexidade, mas isso não se torna real na série, que leva as cenas jogando sequências de ações genéricas com os personagens em praticamente todos os episódios, causando com que as cenas soem forçadas e até mesmo repetitivas. 

Apesar de serem poucos episódios, tornando o desenvolvimento relativamente curto, a narrativa se torna saturada e cada vez mais a história épica que se aguarda vai se transformando em um borrão genérico que tenta resumir a expedição de anos em poucas cenas. Ao elevar Fernão Magalhães e Elcano à posição de pessoas iluminadas e do bem, a série se torna uma aventura genérica em alto mar e, assim, desperdiça a oportunidade de retratar personagens históricos em toda sua complexidade.

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