Pernambuco ganha novo selo totalmente dedicado aos quadrinhos, a . Na estreia serão lançados dois álbuns: O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos, com roteiro de Clarice Hoffmann e Abel Alencar e ilustrações de Maurício Castro, , Paulo do Amparo e Clara Moreira; e Polinização, de Julio Cavani e Cavani Rosas.

O lançamento será nesta terça-feira (19), na Casa do Derby, às 19h, seguido de um bate-papo entre o editor Diogo Guedes e os roteiristas e ilustradores das HQs. O encontro será mediado pelo jornalista Paulo Floro, mestre em comunicação e culturas midiáticas, especialista em quadrinhos e editor da Revista O Grito!.

O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos é o título de estreia do novo selo. Personagens inspirados em homens e mulheres fichados pela Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) deram vida a quatro narrativas apresentadas na obra.

A HQ tem como base o projeto de pesquisa O obscuro fichário dos artistas mundanos (obscurofichario.com.br), realizado entre os anos de 2014 e 2017, pela produtora cultural Clarice Hoffmann. São indícios da vida de mulheres e homens, brasileiros e estrangeiros, protagonistas de uma movimentação ocorrida no campo da arte e do entretenimento da cidade do Recife, entre as décadas de 1930 e 1950. Um mundo habitado por bailarinas acrobatas e sapateadores excêntricos, cantores de rádio e cossacos russos, pugilistas e ilusionistas, artistas teatrais e enciclopédicos.

Há 15 anos, durante um trabalho de pesquisa para a realização de outro projeto, Clarice Hoffmann precisou consultar os arquivos do Dops, cujo acesso não era permitido. Ao contar à funcionária do Arquivo Público Jordão Emerenciano que a avó materna, Guta Gamer, judia de origem russa, havia sido fichada por ser artista de teatro, a arquivista mostrou a Clarice prontuários de várias pessoas como sua avó.

O obscuro fichário rendeu quatro histórias, ambientadas nos anos de 1934 a 1958: A perseguição aos vermelhos, Josephine Strike – A mulher sem ossos, Grande Hotel, e Os cossacos e o tabu. Em algumas delas, os roteiristas escolheram transcrever textualmente parte dos documentos. Foram cerca de três anos de trabalho, reunindo elementos para produzir O obscuro fichário, que inscreveu no Funcultura e no Itaú Cultural. Mesmo com o financiamento público e privado, o projeto só tinha fôlego para cerca de 64 páginas em preto e branco. Com o apoio da Cepe, o grupo pôde fazer um projeto mais robusto, colorido e com 116 páginas.

Além do debate, a HQ também terá lançamento na próxima quinta-feira (21), no Armazém do Campo, às 19h.

O segundo título do selo é Polinização, HQ que leva as assinaturas de Júlio Cavani e Cavani Rosas, com lançamento previsto para o dia 30 de novembro, a partir das 16h, no ateliê do artista plástico, no Parnamirim.

Para o diretor de produção e edição da Cepe, Ricardo Melo, Pernambuco está diante de um verdadeiro polo de produção de quadrinhos. “Este é um campo editorial grande, que tem se intensificado e o catálogo da Cepe, que é muito abrangente em termos de gênero, decidiu investir nesse segmento para atender a uma demanda ampla. Temos dado apoio a muitos projetos em HQ, agora resolvemos bancar e fazer com que essa produção ganhe espaço nacional”, salienta.

Lançamento do selo Cepe HQ
Data: 19 de novembro
Horário: 19h
Local: Casa do Derby
Endereço: Praça do Derby, 109

Lançamento de O obscuro fichário dos artistas mundanos (primeiro título do selo)
Data: 21 de novembro, quinta-feira
Horário: 19h
Local: Armazém do Campo
Endereço: Avenida Martins de Barros, 387, Santo Antônio.
Preço do livro: R$ 35,00

Sem mais artigos