O Festival de Música Tronxa faz sua estreia no Teatro do Parque

tem como foco a música pós-moderna pernambucana com todas as suas influências

Amaro Freitas é uma das atrações. (Foto: Jão Vicente/Divulgação.

O Teatro do Parque, localizado no bairro da Boa Vista, no Recife, será palco da primeira edição do Festival de Música Tronxa, nos próximos dias 9 e 10 de março (quarta e quinta-feira). Durante os dois dias do evento, contemplado pelos recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, o público poderá se conectar com a música contemporânea do jazz, da música de concerto e a música do mundo partilhadas por grandes nomes da nova geração, como o pianista Amaro Freitas, a cantora e compositora Surama Ramos e o instrumentista Henrique Albino, idealizador do festival.

O evento tem como foco a música pós-moderna pernambucana com todas as suas influências. Os ingressos são gratuitos, limitados e podem ser adquiridos via sympla ou podem ser retirados uma hora antes das apresentações na bilheteria do local. O festival irá seguir os protocolos de segurança do Governo Estadual contra a Covid-19, com apresentação do comprovante de vacina e uso de máscara.

Mas, afinal, o que é “Música Tronxa” com X? Como explica Henrique Albino, “é toda música que desafia quem compõe, quem interpreta e quem ouve. A música que busca alçae vôos que levam a tríade do público/ interprete/compositor a trabalharem juntos na criação de novas sensações e formas de se fazer música”. Para o músico, o troncho com “Ch” dá a idéia de algo sendo feito de qualquer jeito, porém o com “X” é algo pensado para que se tenha um impacto profundo a partir da estranheza e da supresa.

No primeiro dia, o evento começa às 19h, com a estreia do filme Pi de Pífano – Banda de Pífanos de Caruaru e Henrique Albino e Grupo. Gravado em 2018 e idealizado por Henrique Albino, que, além de comandar a direção musical, participa das apresentações tocando saxofones, flauta, pífano e como arranjador juntamente ao seu grupo formado por Amaro Freitas (piano), Gilú Amaral (percussão), Alex Santana (tuba) e Hugo Medeiros (bateria). Do outro lado, que tem toca é a Banda de Pífanos de Caruaru, liderada pelo mestre Sebastião Biano que na época da gravação estava com 99 anos e, hoje, aos 103 anos terá o prazer de ver sua obra lançada ao lado de Junior Kaboclo (pífano) e sua família: João Biano (zabumba), Zé Biano (pratos de choque), Amaro Biano (surdinho) e Gilberto Biano (caixa), em memória.

No dia 10, a programação tem início às 17h, com a segunda exibição do filme e logo após às 18h30, tem início as apresentações dos grupos musicais convidados do Festival. A primeira a subir no palco é a cantora Surama Ramos com seu quinteto de câmara feminino formado por Maíra Macêdo (cavaquinho de 5 cordas), Moema Macêdo (bandolim de 10 cordas), Raquel Paz (viola de arco) e Karol Maciel (sanfona). No repertório, ela traz algumas de suas músicas autorais como “Baobá” e “Frevo Retinto” e outras de compositores renomados como “Emoriô”, de João Donato e Arrastão, de Vinicius de Morais e Edu Lobo, com arranjos camerísticos com influências na música atonal do início do século XX.

Depois quem sobe ao palco do Festival de Música Tronxa é o respeitado pianista Amaro Freitas, já citado nas principais revistas de jazz mundial e tendo tocado nos palcos mais importantes do gênero tocando músicas como “Carinhoso” – onde faz uma homenagem ao mestre Pixinguinha e aos 100 anos de modernismo negro; “Pequena África” – composição inédita numa homenagem a esse lugar do Rio de Janeiro que foi fundamental para a religião afro brasileira e desenvolvimento do samba, de Pixinguinha e de tantos outros compositores instrumentistas; Bacuri – uma canção criada pelo músico para homenagear às frutas do Maranhão; e “Chega de Saudade” que, segundo Freitas, será entoada na intenção de matar a saudade que ele estava de tocar com o público do Recife, sua cidade natal. Além dessas, o pianista irá tocar outras composições reservadas para a noite.

Na sequência, o grupo Henrique Albino Quarteto entra tocando música pernambucana tronxa com as composições do seu primeiro álbum lançado no ano passado intitulado “Música Tronxa”. Esse disco marca o lançamento do seu conceito de música tronxa pernambucana na prática e, em todas as faixas, elementos da mais alta complexidade musical se fundem aos ritmos e estéticas nordestinas.Teremos um Festival que, ao mesmo tempo, abraça as raízes nordestinas através das complexidades do frevo, do maracatu, do xote e do baião, linguagens respeitadas mundialmente”, completa o multi-instrumentista que foi um dos mais jovens a vencer o tradicional concurso de frevo e que atua em Recife como produtor musical e educador, tendo executado arranjos em discos indicados ao Grammy para as cantoras Elza Soares e Elba Ramalho.

Ao final das apresentações de cada grupo, os artistas se aglutinarão em uma jam apoteótica que promete encantar o público. O DVD “Pí de Pífano” estará disponível para venda no local ao valor de R$ 30. O público interessado em contribuir com os custos extras obtidos com a realização do festival, também poderá adquirir camisas e ecobags produzidas especialmente para o evento. (via CulturaPE)

Serviço
1º Festival de Música Tronxa
Quando: 9 e 10 de março de 2022 (quarta e quinta-feira), respectivamente, às 19h e às 17h
Onde: Teatro do Parque (R. do Hospício, 81 – Boa Vista, Recife – PE)
Ingressos gratuitos pelo Sympla (www.sympla.com.br/festival-da-musica-tronxa__1500523)  ou para retirada na bilheteria do teatro, com uma hora antes das apresentações
Mais informações pelo perfil do Instagram: @festival_musica_tronxa

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