Barack Obama (Foto: Divulgação)

‘From Obama’
Tanto quanto Hillary Clinton, o candidato à presidência americana apresenta um vazio de propostas no setor cultural
Por Fernando de Albuquerque

As eleições ainda não foram decididas. O resultado da pré-candidatura é uma grande incógnita, mas uma verdade seja dita: nunca uma disputa à pré-campanha presidencial americana foi tão badalada quanto a acirrada briga entre Hillary e Obama.

Com nome bem complicado (Barack Obama, que lembra mais um muçulmano terrorista que um tradicional candidato) o democrata de origem queniana consubstancia a esperança de vários negros que desejam ver um presidente de raça no comando da casa branca, além de outras minorias étnicas, de gênero e sexo que vêem nele um futuro mais eqüitativo. (Ledo engano!)

Hillary Clinton também é minoria. Mesmo sendo um país de primeiro mundo e de carregarem o baluarte da democracia e da liberdade, os EUA estão muito longe de deixar de ser um país excessivamente patriarcal. Hillary está longe de incorporar a dona-de-casa (como quando era primeira dama) e mais ainda da figura de executiva dona do mundo.

Tanto Hillary quando Obama na verdade são muito mais franquia que pessoas propriamente ditas. Eles incorporam interesses diversos e, mesmo que se oponham à eles idissiocraticamente, estão com tudo muito bem articulado na mente. Negros e brancos, mulheres e homens, ricos e mais humildes, aquilo que é público e o que é privado são alguns dos segmentos que necessariamente têm de ser contemplados e devem se mostrar argumentos harmônicos durante seus discursos.

A partir dessa conjuntura política e social, é possível estabelecer uma analogia com o imaginário americano, cuja figura do herói (o presidente americano) tende a ser construída com base na idéia de que um cidadão comum ouvirá um chamamento e deverá cumprir a missão presente em sua própria vocação. E o resultado disso tudo: beneficiar a todos.

E a própria cultura americana costuma privilegiar essa concepção de herói. Se ele, ou ela, tiver uma trajetória de privações e dificuldades, será muito bem vindo ao universo dos guerreiros modernos como os heróis de Matrix, Homem-Aranha, Tarzan e Xena. Mas se forem ricos e abastados incorporam a figura de heróis como Batman e Lara Croft.

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Obama e Hillary: Mais franquias que pessoas de verdade

E enveredando por essa área, a do quesito das propostas culturais, ambos não apresentam nenhuma proposta consolidada. Obama é tão fraco quando Hillary citando frases como: “America needs to reinvigorate the kind of creativity and innovation that has made this country great. To do so, we must nourish our children’s creative skills (sic)”. Todas repletas de um vazio inominado.

Um dos pontos positivos da campanha é a criação de comitês com artistas e membros da sociedade civil para a criação e arrecadação de taxações que seriam cobradas às famílias americanas, “by up to $2,500 per year”. Ou mesmo “Opening America’s doors to students and professional artists”.

A verdade é que não há nada que venha sanar futuras crises como a que amolou a industria cinematográfica de Hollywood, ou mesmo venha minorar os enormes rombos financeiros contraídos pelos teatros da Broadway. A cada mês um teatro é fechado, vendido ou transformado em algum “espaço de convivência social” como shopping center, livraria ou mesmo estacionamento.


Na crise financeira e cultural dos EUA, a cada mês um teatro é fechado para virar shopping

O que mais impressiona é o próprio desinteresse do eleitorado que se vê preocupado apenas com a crise imobiliária, o Nafta, o crescimento vertiginoso do bloco sul americano e mesmo a corrida armamentista iniciada por Hugo Chávez.

Obama apesar do vazio de propostas para o setor cultural (já que na carta de propostas esse setor só ocupa meras uma página e meia) transporta para a cena política um dilema que assola o cinema há décadas: como oferecer atores negros como protagonistas sem perder a audência da maioria branca? Quando Obama fala para negros, perde os eleitores brancos e vice-versa. Há ainda quem pergunte se o candidato é negro o bastante para sustentar uma posição clara para com seus irmãos de cor. Em passagens mais apelativas emocionadas ele sustenta: “Sou filho de uma mulher branca, meu pai nasceu no Quênia e nos deixou quando eu tinha dois anos. Meu padrasto era da Indonésia. Morei em Java e aprendi a falar javanês.”

A autoridade moral do candidato em temas relacionados à guerra do Iraque, por exemplo, faz com que setores carentes se percam em divagações e humores do próprio mercado. Melhores salários para classe artística, reivindicações dos escritores sobre mordaças mais fortes em relação aos direitos autorais e mesmo maior incentivo à pesquisa no quesito de humanidades são temas que estão em quinto plano. A real preocupação está na proteção de informações secretas do “satélite” americano que está caindo em órbita da terra.

Os bilhões de dólares que estão sendo gastos nesta campanha poderiam estar sendo usados para resolver parte dos problemas apontados pelo próprio Obama. Mas, se assim fosse, ele não se elegeria. As coisas não são tão simples assim. A vaidade e a ambição, o poder e o prestígio que o cargo carrega o torna um tesouro no centro desta cultura que privilegia o individualismo neoliberal e o narcisismo a qualquer preço. Democratas e republicanos não são tão diferentes assim: a imagem que cada um apresenta é o que os torna diferentes uns dos outros. Uma imagem que o vento não levou.

PARA SABER MAIS:

BARACK OBAMA: Site oficial | Myspace | Youtube | Twitter | Fabebook | Flickr

HILLARY CLINTON: Site oficial | Myspace | Youtube | Twitter | Fabebook | Flickr

[+] O EMBATE DE OBAMA E HILLARY EM VÍDEOS

Editor
  1. Caro Fernando de Abuquerque,

    Eu não solicitei a você profundidade, mas apenas o básico: informação. Se você propôs opinar a respeito das eleições americanas, o mínimo dela você deveria estar sabendo. No entanto, conforme o meu comentário acima, seu artigo reflete que você é uma pessoa mal informada – ao menos na questão das eleições americana. Não pedi em nenhum momento uma dissertação ou um texto cansativo e longo. Pedi apenas INFORMAÇÃO. E, me desculpe, o seu texto desinforma. Ora, dizer que há um “crescimento vertiginoso no bloco sul americano”?! Fazendo uma leitura cuidadosa nos jornais nativos, você saberá que isso não existe. “Corrida armamentista” de Hugo Chaves? Bem, quem se mostrou com uma visão política extremamente unilateral e individual foi você e não eu. Ah, quanto ao dia em que você divulgou o artigo, isso desqualifica ainda mais o trecho: “uma grande incógnita”. Meu caro, ou Hillary vencia no Texas, ou ela estava fora! Como venceu, há chances. Abraços.

  2. Antes de fazer comentários como “fala-se até em aliança entre os dois na chapa” verifique o dia em que essa proposta foi elencada e o dia em que a matéria foi publicada. Hillary admitiu uma união entre os candidados após as prévias de Ohio que aconteceram ontem. E o texto foi publicado na semana passada. Há uma lacuna temporal aí.

    Se liga brow!
    Qualquer coisa me manda e-mail!
    Abração!

  3. Acho que ao autor do comentário faltou um pouco de conhecimento sobre padrões e propostas jornalísticas do site. Afinal, os textos aqui publicados não pretendem ser um compêndio sobre qualquer tipo de tema abordado. Ou mesmo uma longa dissertação sobre a conjuntura política americana (tal como seu comentário que é cansativo, delongado e com uma visão política extremamente unilateral e individual). Os próprios cânones da linguagem veiculada na Web determinam que os textos sejam pequenos, curtos e diretos. Profundidade você deve procurar em algum curso.

    No mais…temos questões muito mais importantes e mesmo comezinhas para tratar em nosso próprio país do que acabar na panacéia americana.

    Beijo e Barak Obama é um nome que lembra sim muçulmanos. Tanto é que em toda a campanha ele usa apenas o segundo nome.

  4. Ler esse artigo aqui publicado me trouxe uns sintomas não muito gentis: embrulho no estômago e muita, mas muita dor de cabeça. Há pontos em que no texto observo que há má informação a respeito das eleições americanas. Não preciso ir longe: “O resultado da pré-candidatura é uma grande incógnita”. Acho que faltou contextualizar onde essa “pré-candidatura” é uma grande incógnita, até porque, o candidato republicano já está garantido. Nos democratas, Hillary perdeu em vários estados, deixando um número maior de delegados para Barack Obama (fala-se até em aliança entre os dois na chapa). Por esse motivo, “grande incógnita” superestima demais o que acontece de fato, o que pode torná-la tendenciosa. Tendencioso também é o fato de desqualificar o nome de Barack Obama, ou seja, afirmando que ‘Obama’ lembra mais o nome de um terrorista assassino do que um candidato à presidência. Tola semelhança. É como se isso trouxesse algo de negativo à administração de Barack. Além de boba, a afirmação é de uma profunda ignorância. Há também o problema da qualidade da informação conquistada pelo autor deste artigo. Frases como: “corrida armamentista iniciada por Hugo Chávez”, há um visível reflexo da imprensa nativa, que é camarada com os desmandos do Governo Bush. Se lesse mais um pouco, o autor verificaria que corrida armamentista há nos EUA, e esse exagero midiático em torno da figura de Hugo Chaves é meramente figurativa. “A América para os americanos”, já viu essa frase? Quando um governante é intolerante com essa postura dos EUA, o que acontece? Meu caro, o país mais bem armado na América do Sul é a Colômbia, que invadiu o Equador sob apoio americano. Ah, os americanos não estão nem aí com o suposto “crescimento vertiginoso do bloco sul americano”, até porque, não há um crescimento vertiginoso na América do Sul. O medo é das idéias populistas encabeçadas por Chaves e seguidas por Morales. Essas idéias não trazem dim dim para os americanos. Ou seja, encarece o preço do petróleo e seus derivados, meu chapa. Não condeno a postura americana. O Governo brasileiro deveria ter a mesma, mas infelizmente fica com as pernas bambas. Há outros pontos errôneos no texto, mas cansei de bancar o professor de conhecimentos gerais. “O Grito” é uma boa revista, mas desanda quando quer falar de algo que não domina. E o pior, quando tenta falar, permanece no “mais do mesmo”. Mais ousadia e leitura, rapazes.

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