Livros recentes tentar trazer lucidez e reflexão para compreender a loucura dos tempos que correm. São livros que fazem uma análise social bem conjuntural, mas apoiado por diversos teóricos e discussões importantes da política nacional e internacional.

O Brasil e seu pêndulo: uma resenha do novo livro de Leonardo Avritzer

Muitos desses títulos se tornaram best-sellers, o que é um indicativo da necessidade de informação e análise de qualidade como forma de lidar com esse mal-estar social tanto no Brasil quanto no exterior.

Fizemos uma seleção de títulos novos ou lançados recentemente que já chegaram aqui na revista.

O Brasil e seu duplo, de Luiz Eduardo Soares (Todavia)


O livro aborda, sobretudo, a intensa polarização que se abateu sobre o país nos últimos anos. Quando Lula foi preso, em 2018, abrindo caminho para o triunfo eleitoral de Bolsonaro, o país mudou: desfez-se o consenso em torno do pacto constitucional, de natureza social-democrata. Desde então, afirmou-se uma direita radical que se contrapõe aos liberais e às esquerdas não só em matéria de prioridades e políticas públicas, mas também no plano ideológico. Como chegamos à essa situação?

Participação e democracia no Brasil: Da década de 1960 aos impactos pós-junho de 2013, de Maria da Glória Gohn (Vozes)


Maria da Glória Gohn é uma das maiores pesquisadoras dos movimentos sociais do Brasil. Seu novo livro apresenta discussões sobre o impacto dos protestos de junho de 2013 e as novas conformações políticas a partir dali. Mas traz ainda uma visão geral desses movimentos, desde a década de 1960, com destaque para 1968 e os movimentos populares na década de 1970 e início dos anos de 1980.

Democracia em risco?: 22 ensaios sobre o Brasil hoje, por Vários Autores (Companhia das Letras)
A vitória de Bolsonaro – de retórica virulenta e ideias conservadoras em matéria de costumes, mas vestindo novíssimo traje ultraliberal em assuntos econômicos – suscita muitas interrogações, tanto relativas aos processos que levaram a ela quanto às suas consequências, em vários âmbitos. Este é o desafio que se colocou aos pensadores reunidos no livro, notórios especialistas em áreas como ciência política, história, sociologia, antropologia, economia e direito. Trata-se de um livro de intervenção, que pretende ajudar na compreensão de período que, tudo indica, virá a ser crucial nos rumos que tomarão nosso país e nossa sociedade. Com textos de: André Singer e Gustavo Venturi, Angela Alonso, Angela de Castro Gomes, Boris Fausto, Carlos Melo, Celso Rocha de Barros, Christian Dunker, Conrado Hübner Mendes, Daniel Aarão Reis, Esther Solano, Heloisa Starling, João Moreira Salles, entre outros.

Na contramão da liberdade: A guinada autoritária nas democracias contemporâneas, de Timothy Snyder (Companhia das Letras)


Do mesmo autor de Sobre a Tirania, o livro tenta entender o novo tipo de autoritarismo que emergiu de um conjunto de eventos interligados mundialmente, da Rússia aos Estados Unidos. Cada capítulo é dedicado a um ano e a um episódio em particular — a volta do pensamento totalitário (2011); o colapso da política democrática na Rússia (2012); o ataque russo à União Europeia (2013); a revolução na Ucrânia e a subsequente invasão russa (2014); a difusão da ficção política na Rússia, na Europa e nos Estados Unidos (2015); e a eleição de Donald Trump para a presidência norte-americana (2016).

Como a democracia chega ao fim, de David Runciman (Todavia)

Já um clássico dos estudos políticos desta década, este livro se dedica a comprender as ameaças sofridas pela ao redor do mundo. Segundo o autor, é necessário levar a sério a possibilidade de um fim do regime democrático, como aconteceu em outros períodos da história, mas agora com bem mais complexidade.

Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (Zahar)

Uma análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo, o livro dos professores de Harvard, Levitsky e Ziblatt, traz como ponto de partida a eleição que levou Trump ao poder. A democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data.

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