Brancura: falta de diversidade atingiu todas as categorias principais. (Divulgação).
Brancura: falta de diversidade atingiu todas as categorias principais. (Divulgação).
Brancura: falta de diversidade atingiu todas as categorias principais. (Divulgação).

Na contramão de mais representatividade em todos os campos da arte, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que organiza o Oscar, apresentou apenas indicados brancos e homens na edição deste ano.

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Não há nenhum ator ou atriz negros nas quatro principais categorias de atuação. Nos oito indicados a melhor filme, todos os protagonistas são brancos. Também não há mulheres indicadas a melhor direção este ano. É algo bem sintomático de um problema grave de representatividade em Hollywood. 2016 estamos vivendo o #OscarsSoWhite em toda a sua glória.

Este é o segundo ano seguido em que o Oscar indica apenas brancos em categorias de atuação. 20 indicados e não há nenhum negro ou negra entre eles. Isso é bem grave. Já entre os diretores, nenhuma mulher. O problema de diversidade da Academia é bem antigo, mas nos dias atuais situações como essa não são mais toleráveis. Veja o caso do festival de quadrinhos de Angoulême, na França, o maior do mundo. Como nenhuma mulher foi indicada ao prêmio de conjunto da obra, grandes nomes decidiram sair da disputa, entre eles artistas renomados como Milo Manara e Charles Burns. Falta de quadrinistas mulheres para a contenda? Evidentemente que não. Miopia e preconceito dos organizadores? Com certeza, sim.

O mesmo vale para esta edição do Oscar. Atores e atrizes negros e latinos protagonizaram produções incríveis no último ano, sucessos de crítica e público. É o caso de Idris Elba, em Beasts Of No Nation; Michael B. Jordan em Creed – Nascido Para Lutar, Will Smith em Um Homem Entre Gigantes. E o que dizer de Samuel L. Jackson, incrível em Os Oito Odiados de Tarantino e totalmente esnobado pela Academia? E tivemos ainda Benício Del Toro, em Sicario, filme que foi lembrado em algumas indicações, mas ignorou um dos seus atores.

O maior representante negro na disputa da estatueta este ano foi a lembrança de Straight Outta Compton – A História do NWA, sobre a cena do hip hop pela ótico de um dos seus grupos mais lendários, que é um dos favoritos a melhor roteiro original. Ainda assim, apesar dos personagens retratados, todos os escritores do longa são brancos.

Will Smith, esnobado. (Divulgação).
Will Smith, esnobado. (Divulgação).

Creed é um caso curioso, pois garantiu a indicação de Sylvester Stallon como melhor ator coadjuvante, mas ficou de fora na disputa como “melhor filme”. É para se refletir como um filme de bastante repercussão nos EUA e elogiado pela crítica tenha sido lembrado apenas pelo cara branco, ainda que a trama trate dos desafios de um jovem lutador negro.

Carol, filme que conta uma relação lésbica vivida por Cate Blanchett e Rooney Mara, foi negligenciado em várias categorias aos quais era cotado. A produção não conseguiu chegar aos indicados a melhor filme nem diretor (para Todd Haynes).

Como melhor direção algumas mulheres chegaram a ser cotadas para a edição deste ano. É o caso de Sarah Gavron por As Sufragistas e Marielle Heller, de O Diário de Uma Adolescente.

Por que a diversidade é importante

A representatividade não é apenas um elemento importante para as artes em geral, ela é essencial. Além de trazer justiça e mostrar pontos de vistas de pessoas que são invisibilizadas na sociedade, é ela que garante a evolução da arte de contar histórias. A inovação só virá com a descoberta de novas sensibilidades e olhares ainda não mostrados.

O Oscar já tentou driblar essa sua falta de representação e potencial racismo em sua edição de 2014, ano de aclamação do drama 12 Anos de Escravidão. Mas são momentos pontuais, o que é péssimo. Levou mais de oitenta anos para a Academia premiar uma mulher negra como melhor atriz, caso de Halle Berry em A Última Ceia, de 2002. E demorou 82 anos para que uma mulher fosse reconhecida como melhor diretora – Kathryn Bigelow por Guerra ao Terror, em 2010. A premiação, ao cabo, reflete apenas um mal que precisa sumir da indústria como um todo. Spike Lee, diretor de Faça a Coisa Certa, ao receber um Oscar honorário na festa do Oscar Governors Ball (não transmitida ao público), disse que “era mais fácil ser um negro presidente dos EUA do que chefe de estúdio de cinema”. Ele lembrou o preconceito enraizado no meio cinematográfico em seu discurso.

As indicações ao Oscar sempre foram questionadas por esta ou aquela razão, mas é difícil levar o prêmio a sério após mais esse erro histórico em ignorar filmes e diretores apenas pela cor da pele ou gênero.

Creed, filme sobre jovem lutador negro: apenas Stallone foi lembrado. (Divulgação).
Creed, filme sobre jovem lutador negro: apenas Stallone foi lembrado. (Divulgação).
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