O fez história ao dar o merecido destaque a questões importantes que permearam o debate público da cultura no último ano, como a representatividade de gênero, racismo, casos de abuso sexual, entre outros. Mais do que depender dos discursos dos vencedores (e eles vieram com força), a premiação, enquanto show televisivo, cumpriu seu papel. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

A lista completa de vencedores

Fato é que o Oscar elencou um elenco bem diverso para apresentar os prêmios, incluindo a primeira atriz trans, Daniela Vega, que tanto subiu para prestigiar a vitória de Uma Mulher Fantástica, vencedor de melhor filme estrangeiro pelo Chile, quanto para chamar o número musical de Sufjan Stevens, indicado a melhor canção original por “Mistery Of Love”, de Me Chame Pelo Seu Nome. Mulheres foram maioria nas apresentações de prêmios, com um grande mix geracional.

Foi também a noite de lembrar da luta por mais representação, com destaque para um clipe que mostrava os artistas que quebraram barreiras em busca de mais espaço para negros, mulheres e latinos em Hollywood. As atrizes Ashley Judd, Salma Hayek e Annabella Sciorra subiram para apresentar esse vídeo. “As mudanças vêm de novas vozes diferentes. Um coro poderoso está dizendo: “times’up”. Gostaríamos de falar dessas pessoas que deram tudo e acabaram com esse debate enviesado em relação a gênero e etnia”, disse Judd.

Guillermo Del Toro, vencedor de direção por : “sou um imigrante”. (Foto: Reprodução/@realitysocial).

A apresentação de Jimmy Kimmel, longe de ser monótona, mas também pouco incisiva, encontrou espaço para críticas ao governo de Donald Trump, assediadores e ao próprio Oscar.

Foi uma noite bem latina. O México foi bem representado com a presença de estrelas como Natalia Lafourcade, que subiu ao palco para apresentar “Remember Me”, indicada como melhor canção por Viva – A Vida é Uma Festa e também o próprio Guillermo Del Toro, que venceu como melhor diretor e melhor filme por A Forma da Água. Fora presenças latinas de destaque como Rita Moreno e Gael Garcia-Bernal. Para coroar, Uma Mulher Fantástica saiu como vencedor em melhor filme estrangeiro.

Outro momento histórico foi a vitória de Frances McDormand como melhor atriz por . Em seu segundo Oscar (ela tem um por Fargo), ela pediu para que todas as mulheres indicadas este ano se levantassem e as homenageou. Fez um discurso tanto empoderador e inspirador quanto pragmático: pediu que mais projetos de mulheres fossem financiados. E ainda advogou a favor do “Inclusion Rider”, uma cláusula que artistas podem exigir em seus contratos. Essa cláusula exige que as produções tenham certo grau de diversidade racial e de gênero. De fato, isso seria uma revolução na indústria, ainda muito racista e excludente de Hollywood.

Jordan Peele: primeiro negro a ser premiado como melhor roteiro. (Foto: Reprodução/@realitysocial).

Nos discursos, Guillermo Del Toro mandou um recado para Trump ao citar o fim das barreiras. “Eu sou um imigrante, como Alfonso (Cuarón), Gael (Garcia Bernal) e muitos de vocês. A melhor coisa de nossa área é poder apagar as linhas na areia, as fronteiras. Muros só vão piorar as coisas”, disse. Já Peele fez história ao se tornar o primeiro negro a vencer um Oscar de roteiro. “Eu quero dedicar este prêmio a todas as pessoas que levantaram a minha voz e me deixaram fazer este filme”.

Que ainda há muito a ser conquistado, é verdade, mas essa premiação mostra que uma nova fase do Oscar – a da indústria do entretenimento em geral – está em curso.

Veja os vencedores:

Melhor Filme: A Forma da Água
Melhor atriz: Frances McDormand, Três Anúncios Para Um Crime
Melhor ator: O Destino de Uma Nação
Melhor diretor: Guillermo Del Toro, A Forma da Água
Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell, Três Anúncios Para Um Crime
Melhor atriz coadjuvante: Allison Janney, Eu Tonya
Melhor filme estrangeiro: Uma Mulher Fantástica (Chile)
Melhor figurino: Trama Fantasma
Melhor roteiro original: Corra!, de Jordan Peele
Melhor roteiro adaptado: Me Chame Pelo Seu Nome, James Ivory
Melhor documentário: Ícaro
Melhor edição de som: Dunkirk
Melhor mixagem de som: Dunkirk
Melhor cabelo e maquiagem: O Destino de Uma Nação
Melhor direção de arte: A Forma da Água
Melhor efeitos visuais: Blade Runner 2049
Melhor montagem: Dunkirk
Melhor curta de animação: Dear Basketball
Melhor animação: Viva – A Vida é uma Festa
Melhor documentário de Curta-metragem: Heaven Is A Traffic Jam On The 405
Melhor curta-metragem: The Silent Child
Melhor trilha sonora: A Forma da Água
Melhor canção original: “Remember Me” – Viva – A Vida é uma Festa.

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