Lázaro Ramos e Paola Oliveira em cena de Papai é Pop. Foto: Divulgação.

Papai é Pop aproveita a comédia para dialogar sobre o verdadeiro papel de um pai

Longa de Caito Ortiz aborda de forma leve, porém eficiente, sobre o abandono parental

Papai é Pop aproveita a comédia para dialogar sobre o verdadeiro papel de um pai
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Papai é Pop
Caíto Ortiz
BRA, 1h48, 12 anos, Distribuição: Galeria Distribuidora
Com Lázaro Ramos e Paolla Oliveira
Estreia no dia 11/08 nos cinemas

Se o século 21 trouxe luz para diversos problemas anteriormente normalizados pela sociedade, com certeza, discuti-los ainda é uma das coisas mais essenciais para a criação de um ímpeto de mudança.

Com essa premissa, o filme brasileiro Papai é Pop, que conta a história de um homem que se torna pai, chega com o intuito mais profundo de discutir como tema central uma grande questão que sempre assolou as famílias brasileiras: o abandono parental. 

Na narrativa, o espectador se depara com Tom (Lázaro Ramos), um homem jovem, engraçado e alegre que está se preparando para a chegada da esperada filha, Laurinha, com sua esposa Elsa (Paolla Oliveira). O personagem está animado com a chegada da nova vida na família, mas se depara com mais desafios do que estava preparado e em meio a distribuição desigual de tarefas e a ideia de que cuidar da própria filha é um “favor” à esposa, Tom começa a perceber que a jornada da paternidade não é tão simples como os seus amigos, filmes, séries e mais, fazem parecer. 

Dessa maneira, com uma atuação crua de Lázaro e Paolla, a situação da paternidade é escancarada de forma leve, já que o filme é uma comédia familiar, mas que não perde sua potência em criar um diálogo sobre o verdadeiro papel de um pai e de um marido na vida da criança que acabou de nascer e na vida da mãe, que precisa antes de tudo, de um parceiro e não de um homem que volte para casa esporadicamente com o pretexto de “ajudá-la”. 

Com a direção de Caito Ortiz, a obra é inspirada no livro de mesmo nome e sucesso de vendas do autor Marcos Piangers e vêm aos cinemas de todo o Brasil com a intenção de divertir, claro, mas de educar cada vez mais as antigas e novas gerações sobre o que verdadeiramente significa ser um pai. 

“A gente não sabe o que é ser homem. Algumas pesquisas mostram que só 10% dos meninos conversam com o pai sobre o que é ser homem, então essa construção do que é ser homem é toda equivocada, a gente começa a achar que ser homem é ser violento, agressivo. O filme trata dessa falta de amadurecimento do homem no Brasil, que tem medo da responsabilidade”, afirmou Piangers na coletiva de imprensa do longa. 

 No Brasil, o abandono parental é uma realidade latente e por isso, discutir o tema é, além de necessário, urgente. O filme é capaz de trazer as facetas desse abandono e mostrar que é possível mudar os dados e ser um pai presente e verdadeiro. 

Em uma sociedade acostumada a enxergar o cuidado dos filhos como trabalho exclusivo da figura materna, esse processo é mais árduo, mas não significa que não valha a pena quebrar com esse padrão, mesmo que isso signifique por exemplo, notar que os outros homens ao seu redor não são tão bons pais quanto eles dizem ou espelham nas redes sociais, como é em um dos cenários do filme. 

De acordo com o diretor de Papai é Pop, Caito Ortiz, a produção da obra foi intensa “porque a todo tempo nós nos deparamos com o nosso passado, nossa criação e referências, algo que era corriqueiro era alguém da equipe mencionar ‘puts, eu era meio assim’ ou ‘meu marido era assim’. Tinham muitas descobertas para a equipe fazendo o filme. Íamos aos poucos identificando os buracos que já tínhamos caído por não ter com quem conversar, não ter referência”. 

Diante disso, Caito acrescentou que a produção do filme “empurrou” a equipe mais para frente e o grande poder do audiovisual é justamente esse, de levar não só a equipe, mas os espectadores daquela obra a se verem na trama, descobrirem as partes que os atingem e como consequência, mudar para melhor.

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