Aos 38 anos, o artista paulista é uma verdadeira sinestesia entre teatro, literatura e música. Considerado um dos melhores autores da cena indie de São Paulo que emergiram neste início de século, Pethit participou da última edição do Coquetel.EXE, em março de 2021. O artista ministrou um vídeo/oficina ensinando técnicas de preparação, respiração e expressão corporal para apresentações em público. Tudo de forma virtual, claro, em virtude das medidas de distanciamento social impostas pela pandemia de Covid-19. “São poucos os artistas que podem ter uma live paga e com boa produção”, opina Pethit.

O primeiro álbum de foi Berlim, Texas (2010). Ele conquistou ainda mais espaço no cenário pop a partir do segundo, Estrela decadente (2012). Numa trajetória existencial e marginal, o ponto culminante do cantor e compositor foi atingido com o terceiro álbum, Rock’n’roll Sugar Darling (2014). Cinco anos mais tarde, o artista ressurgiu com Mal dos Trópicos (Queda e ascensão de Orfeu da Consolação, 2019), com arranjos de tom sinfônico. “Não gosto muito de descrever música. Não saberia como”, ressalta.

Um dos nomes artisticamente mais ambiciosos da populosa cena indie musical do Brasil, o virginiano Thiago Pethit, que tem como ídolos nomes como Caetano Veloso, Lou Reed, Kurt Weill, Chopin, entre outros, bateu um papo sobre a carreira e todos estes assuntos com a Revista O Grito! Confira:

Durante a pandemia, as lives se tornaram centrais para os artistas da música. Como tem visto esse novo cenário?

Infelizmente é o único formato possível neste momento. Digo infelizmente, pois não me agrada em geral. Vi poucas produções realmente interessantes e a maioria eram pré-gravadas ou com muito investimento. Por isso, vejo como um cenário limitado, tanto em termos de recursos artísticos, mas, sobretudo, economicamente.

São poucos os artistas que podem ter uma live paga e com boa produção. E ainda assim, uma live – diferentemente de shows presenciais – não pode ser uma turnê. Ela não vai acontecer todo mês com investimento e pagamento. Então é um cenário bastante complicado. Mas olha, admiro muito quem esteja com energia para fazer. Eu não me animei até hoje.

Como funciona o seu processo criativo? Você tem composto agora nesse tempo de pandemia e isolamento social?

Sinto que ainda não me abri para criar neste período. Minha criação e inspiração surgem de processos e experiências de observação do mundo à minha volta, das vivências… e esse processo pandêmico e isolado nunca acabou. Claro que já deu tempo de observar, mas ele segue me levando a novos pensamentos, novas angústias. E é algo tão absurdo, tão único e particular… prefiro observar tudo o que posso e deixar que essa experiência ressoe até que eu precise dizer algo sobre ela.

Como descreve a sua música?

Não gosto muito de descrever música. Não saberia como.

Quais são suas referências de estilo? Você muda de estilo em cada álbum ou é algo que acontece naturalmente?

Eu tenho diversas referências e mudo de estilo e entendo isso como algo natural. Eu não me preocupo muito com essa questão do ‘gênero musical’. Com qual gênero e estilo estão mais na moda ou não. Pra mim, a sonoridade precisa estar a serviço da mensagem. Se a mensagem é agressiva ou delicada, se é triste ou dançante… Eu escrevo canções e me importa que elas tenham a minha autenticidade. Isso é o que eu busco em cada trabalho.

Você possui algum ídolo quando se trata de música?

Tenho muitos: Cida Moreira, Caetano Veloso, Lou Reed, Kurt Weill, Chopin, Jup do Bairro, Linn da Quebrada, Leonard Cohen,…é uma lista longa.

Você se sente dentro de uma cena, ou de uma “turma” no cenário musical?

Não. É claro que me identifico mais com um ou outro artista, mas não consigo me ver numa cena. Acho que ao longo desses dez anos, a mídia já tentou criar diversos recortes diferentes e me inserir em cenas sob essas óticas específicas: novos paulistas, nova mpb, queer, folk… Mas eu mesmo me vejo mais como um estranho no ninho sempre que me colocam num grupo ou numa gaveta.

E você gravou com artistas como Liana Padilha Tiê, entre outros… Como é criar música com outros colegas?

Eu acho muito, muito difícil criar em parceria. Dito como na pergunta parece até que eu tenho muitas e uma facilidade em fazer isso, mas a verdade é que acho super difícil.

Eu adoro quando acontece, mas é como se o universo precisasse conspirar para que eu e alguém sentemos juntos e por acaso tenhamos o desejo de fazer uma música e visitar o universo um do outro. Eu trabalho com muita intimidade nas minhas canções e é estranho muitas vezes deixar palavras ou voz para outros contarem minha história junto comigo ou vice-versa.

Você acha que o papel dos artistas é de resistência, mas também despertar esperança?

Esperança e acolhimento também são resistência. Tem hora que é de luta. Tem hora que é de preparação para luta. Cada uma pede algo, uma música, um artista.

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