Pussy Riot mudou cara do ativismo na Rússia (Foto: PussyRiot.Org/Reprodução)
Cantoras foram abandonadas por antigas integrantes após participarem de show ao lado de Madonna (Foto: Divulgação/Anistia Internacional)
Cantoras foram abandonadas por antigas integrantes após participarem de show ao lado de Madonna (Foto: Divulgação/Anistia Internacional)

Duas integrantes soltas da prisão dizem que seguem no grupo, apesar das demais integrantes dizerem o contrário

Desde que saíram da prisão, as duas integrantes presas do grupo Pussy Riot iniciaram uma turnê pelo mundo para protestar contra o governo de Vladimir Putin. Entre as principais críticas estão o péssimo tratamento dado aos presos no país, a perseguição aos opositores políticos e as leis anti-gay russas. Mas, as outras integrantes parecem não estarem contentes com o comportamento delas e anunciaram no blog oficial que Nadejda Tolokonikova, 24 anos, e Maria Alekhina, 25, não fazem mais parte do coletivo.

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A principal crítica seria o fato das duas terem participado de um show em Nova York ao lado de Madonna. “Somos um coletivo feminista separatista. Vender ingressos para shows contradiz os princípios do Pussy Riot”, diz o comunicado, assinado por seis nomes. O concerto foi organizado pela Anistia Internacional, que não tem fins lucrativos.

“Elas não são mais do Pussy Riot”, disse o texto. “Masha e Nadia esqueceram os nossos ideais”.

Pussy Riot defendem um ativismo mais agressivo (Foto: PussyRiot.Org/Reprodução)
Pussy Riot defendem um ativismo mais agressivo (Foto: PussyRiot.Org/Reprodução)

Nadejda e Maria, ao lado de Yekaterina Samutsevich, foram presas depois de realizarem um protesto na Catedral de Jesus Cristo Salvador, em Moscou, em fevereiro de 2012. Yekaterina foi solta em outubro do mesmo ano, mas as duas apenas no final do ano passado por causa de uma anistia de Putin.

O maior buxixo após a liberação aconteceu nos EUA, onde deram entrevistas coletivas, fizeram aparições em shows como o da Anistia e foram ao famoso programa Colbert Report. Nesta segunda (10), em Berlim, elas anunciaram que nunca abandonaram as Pussy Riot. As duas disseram que ainda fazem parte do grupo, apesar da negativa das outras integrantes.

Maria e Nadejda participaram de uma coletiva de imprensa, ao lado de María Alejina na fundação Cinema Pela Paz, que acontece ao mesmo tempo do Festival de Berlim.

Essa alienação política por parte das outras integrantes das Pussy Riot pode até ser interessante a um nível artístico – mas é péssimo na luta contra o conservadorismo na Rússia. O desrespeito aos direitos humanos no Governo Putin ganhou holofotes no mundo inteiro após a prisão das Pussy Riot. Com um charme jovem e atrevido, vestindo toscas máscaras de crochê coloridas, elas conseguiram furar o bloqueio de um dos países mais fechados do mundo.

Durante a prisão, elas forçaram os limites da legislação russa ao defender seus direitos por boas condições prisionais. Nadia fez greve de fome em protesto contra a falta de higiene, enquanto Masha deu entrevistas para revistas europeias direto da prisão. Do lado de fora, Yekaterina ajudou a promover o documentário Pussy Riot: Uma Oração Punk, exibido em Sundance e na HBO, no ano passado.

Essa alienação política por parte das outras integrantes das Pussy Riot pode até ser interessante a um nível artístico – mas é péssimo na luta contra o conservadorismo na Rússia.

Já as Pussy Riot seguiram com sua agenda de protesto contra Putin, quando lançaram um vídeo que criticavam a corrupção envolvendo os negócios de petróleo do país.

O projeto artístico das Pussy Riot, que além de música envolve artes visuais e performances, tem uma postura mais agressiva que parece não encontrar eco na política – por definição um campo de atuação aberto a debates. Durante o evento em Berlim, as duas integrantes disseram que cogitam concorrer a vagas na Câmara de Vereadores de Moscou. A eleição acontece em setembro, ainda sem data definida.

Elas também criaram uma organização de direitos humanos, a Zone Of Law, ao lado da terceira integrante presa em agosto do ano passado. A missão é trabalhar a favor de melhores condições de prisioneiros no mundo.

(Com a crise no sistema penitenciário deslanchado pelos episódios em Pedrinhas, Natal, a próxima parada da dupla poderia ser o Brasil)

Com informações da AFP, New York Times, Queerty

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