Na cabeça de Feliciano, estão todos doentes (Divulgação)

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“Vocês [deputados evangélicos] não vão entregar para a comunidade evangélica o que estão prometendo, porque não há tratamento para o que não é doença. Quem dera que o Conselho Federal de Psicologia pudesse curar a cara de pau e todos os distúrbios da classe política deste país”

Quem disse a frase acima foi o deputado Simplício Araújo (PPS-MA) na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, que aprovou nessa terça (18) o projeto de decreto legislativo que autoriza o tratamento psicológico para alterar a orientação sexual de homossexuais, chamado de “cura gay”.

O relator foi o pernambucano Anderson Ferreira (PR-PE), que também é pastor evangélico. Ele lembrou ainda que a resolução proíbe os psicólogos de fazerem manifestações públicas sobre o tema. Para ele, isso seria um cerceamento à “liberdade de pensamento e de manifestação” dos profissionais. “Seu texto constitui uma defesa da liberdade de exercício da profissão e mesmo da liberdade individual de escolher um profissional para atender a questões que dizem respeito apenas a sua própria vida, sem prejudicar outrem”.

O deputado Simplício Araújo (Foto: Agência Brasil)
O deputado Simplício Araújo (Foto: Agência Brasil)

“Não existe tratamento porque isso não é doença. O que temos que tratar é a corrupção, a cara de pau de alguns políticos. Gostaria que tivessem a mesma possibilidade os profissionais de psicologia de tratar alguns distúrbios de comportamento do ser humano. Não é a homossexualidade um dos distúrbios que prejudica a família. O que prejudica a família é a corrupção, a forma como a classe política está se comportando. Este projeto é inconstitucional. Apenas o poder judiciário pode questionar uma decisão de qualquer conselho de qualquer profissão”, disse Simplício Araújo, única voz dissonante na votação.

O projeto de decreto legislativo foi aprovado depois de várias tentativas de votação frustradas. O projeto, que está sendo chamado de projeto da cura gay, propõe a suspensão da validade de dois artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999. Ainda precisa passar pela comissão de Seguridade Social e Família.

O Conselho Federal de Psicologia se posicionou contra e emitiu nota onde afirma que os psicólogos estão proibidos de tratar a homossexualidade como doença. No AllOut está rolando uma campanha para enviar um abaixo assinado para a Comissão de Seguridade Social e Família. A possibilidade é que essa aprovação seja apenas algo bem específica da comissão de Direitos Humanos liderada por Marco Feliciano. [Com NadaErrado e AgênciaBrasil]

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