O Rec-Beat iniciou seu aniversário de 25 anos com um elenco de peso que reflete muito a personalidade que o festival construiu ao longo de todo esse tempo. A primeira noite foi marcada por uma mistura de brega-funk, rap e pop.

A MC Rayssa Dias foi, sem dúvida, um dos shows mais animados e contagiantes. A MC pernambucana fez história como a primeira mulher do gênero a se apresentar no palco de um festival. O público foi à loucura durante sua performance. Ela cantou seus principais hits, como “Malvadas Q Brotam” e “Foda Demais”, além de outros sucessos do brega-funk, como “Sentadão”. O show foi marcado por um discurso de respeito às diferenças e de ocupação do ritmo do brega-funk em palcos durante o carnaval. 

MC Rayssa Dias representando as mulheres do brega-funk

Não apenas ela reverberou questões políticas e sociais. A dupla de rap mineira Hot e Oreia, que vêm se destacando no cenário atual, trouxe o álbum Rap de Massagem em um dos mais mais incríveis da noite.

Os mineiros Hot e Oreia

Gritos contra o atual presidente ecoaram pelo Cais da Alfândega: “ei, Bolsonaro, vai tomar  no cu”. A dupla parou e ensinou um outro refrão, menos homofóbico. “Galera, o que as pessoas fazem com o cu é só problema delas”, disse Hot, que emendou: “Ei, Bolsonaro, vai tomar polícia, porque dar o cu pra muita gente é uma delícia!”. O show eletrizou todos que estavam no local, que cantaram quase que todas as músicas junto com Hot e Oreia.

Outro que levantou a multidão com seu jeito meigo e com letras profundas; ora lentas, ora agitada foi o pernambucano Martins. Agora em carreira solo, o cantor recifense lançou seu primeiro álbum homônimo, que já é bem avaliado e conhecido pelo público.

Na abertura, o projeto Estesia arrebentou com um show experimental e bem iluminado, contando ainda com a participação do MC Draak, pioneiro do estilo trap-brega.

Draak levou o público ao delírio com suas rimas e com o brega-funk consciente, fazendo todos dançarem o famoso passinho. E diretamente da Ilha de Providência, na Colômbia, tocou e cantou no palco Elkin Robinson, que trouxe todo um ritmo caribenho, com músicas que misturam o calypso colombiano e o zouke, com instrumentos como guitarra acústica e letras cantadas em criolo, sua lingua nativa. 

O término do primeiro dia de apresentações ficou por conta da também pernambucana Karina Buhr. Desmanche, seu trabalho mais recente, fez sua estreia em Pernambuco. O novo álbum traz letras que falam do sentimento atual de instabilidade que assombra o Brasil, falando justamente desse desmanche político e social.

O show foi marcado pelo destaque dado aos instrumentos percussivos e por faixas mais pesadas do álbum como “Sangue Frio” e “A Casa Caiu”, além de músicas do Selvática, como “Eu Sou Um Monstro”. Mas também teve a linda “Amora”. O disco cresceu incrivelmente no palco.

Leia Mais
Adeus a Andy Gill (1956-2020), ícone do pós-punk