Cena de Baile Perfumado, filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (Reprodução)

Cena de Baile Perfumado, filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (Reprodução)

RETOMADA DO CINEMA LOCAL SERÁ DISCUTIDA EM CURSO
Reinício da produção local nos anos 90 é um dos assuntos do

O curso História do , que começa na próxima segunda (13), no Recife, tem como objetivo fazer um panorama dos principais fatos do audiovisual no Estado. Um dos assuntos a ser tratado será o incremento da produção local no período da Retomada do Cinema Brasileiro.

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O assunto é tema do quarto módulo, ministrado pela mestre em Comunicação . Além de trabalhar na produção de filmes, ela é autora do livro O Novo Ciclo do Cinema Pernambucano – A questão do Estilo, resultado de sua dissertação de mestrado.

As aulas acontecem na Sala João Cardoso Ayres, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Derby. O curso é gratuito e tem apoio da Revista O Grito!.

Amanda conversou conosco sobre a retomada do cinema local. Ela fala do grupo , cineclubismo e os ciclos do cinema pernambucano.

Você escreveu uma dissertação sobre o cinema pernambucano. Quais os aspectos mais interessantes de sua pesquisa?
A dissertação trata da produção de um conjunto de filmes realizados por cineastas ligados a um grupo que se constituiu de maneira intuitiva na década de 80, na Universidade Federal de Pernambuco e que, nos anos 90, foi consagrado pela crítica como “o novo cinema pernambucano”. Os principais aspectos do trabalho foram definir as condições socioculturais de formação do grupo, e identificar recorrências estilísticas na produção, analisando os filmes realizados entre 1997 e 2007.

Por que você considera o período da Retomada em Pernambuco um novo ciclo do cinema local?
A inspiração para tratar esse cinema em “ciclos” veio a partir do trabalho de (2000), intitulado Cinema pernambucano: uma história em ciclos. A história da cultura cinematográfica em Pernambuco é escrita em períodos de produção e de formação de grupos de cineastas que vão se dispersando com o tempo, seguindo a natureza dos grupos. O grupo de cineastas que ganha destaque a partir da década de 90, se articula para produzir de um cinema autoral na periferia da produção audiovisual brasileira e ganha repercussão por seu conjunto de realizações, configurando-se como um novo ciclo de cinema em Pernambuco, que esperamos não termine.

O que foi o Van Retrô?
O Vanretrô foi um grupo que surgiu dentro do Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no curso de Comunicação Social, a partir da disposição de uma parte dos alunos de “fazer cinema”. O Vanretrô foi formado em 1985 para realização de um filme. O nome do grupo é uma contração do termo Vanguarda Retrógrada. Essa dicotomia entre a modernidade/tradição, passado/presente, que se observa já no nome do grupo, vai acompanhar a produção posterior dos cineastas.

O grupo Vanretrô era formado por dez pessoas: Lírio Ferreira, Adelina Pontual, Valéria Ferro, Cláudia Silveira, Patrícia Luna, Andréa Paula, André Machado, Samuel Paiva, Solange Rocha, Cláudio Assis. Inicialmente, o grupo contou com a presença de Paulo Caldas, que não se assumia como integrante do Vanretrô, mas participava dos seus encontros, levando as discussões da ABD/PE (Associação Brasileira de Documentaristas) da qual fazia parte na época. Não havia um estudo sistemático do cinema nessas reuniões.

Qual a importância do cineclubismo na formação dos realizadores pernambucanos do período da Retomada?
O cineclubismo é uma atividade importantíssima na formação dos cineastas da década de 80, já que no período não havia cursos de formação em cinema no Estado. O Cineclube vai se tornar parte da formação intuitiva e autodidata dos cineastas, com destaque para o Cineclube Jurando Vingar, liderado por Marcelo Gomes e com sessões na Fundaj.

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