Foto: Reprodução via HuffPost.
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O escritor Amiri Baraka morreu nesse domingo (12) aos 79 anos. Ele é considerado o poeta que antecipou o rap e foi tido como o Malcom X da literatura. Por seu ativismo, chegou a ser investigado pelo FBI.

Baraka ficou famoso por seus poemas influenciados pelo balanço do blues e também escreveu peças, ensaios e críticas. Pegou a tradição oral das ruas e a linguagem crua da periferia para criar um estilo explosivo que instigou debates acalorados sobre igualdade social e racismo nos EUA.

O autor chegou a preconizar as batalhas de MCs com sua poesia slam, ou “slam poetry”, uma batalha de poetas com o uso do microfone. Bastante ligado à música, ele dizia que poemas eram nada mais que música. Foi ele quem escreveu a história da música negra no livro Blues People: Negro Music in White America, de 1963.

Inicialmente ligado ao grupo dos beatnicks (único negro da turma que tinha Allen Ginsberg e Jack Kerouc), ele mais tarde se transformou em um dos líderes do Black Arts Moviment, que é ligado ao Black Power nos anos 1960.

“Queremos poemas que matem. Poemas assassinos, poemas que disparem feito armas”, diz ele no seu manifesto Black Art, de 1965. Ele militou pela união intríseca por uma arte mais engajada. “A tentativa de dividir arte e política é como um burguês que diz que boa poesia, arte, não pode ser político, mas tudo é… política. Mesmo um artista ou obra que afirma não ter qualquer política está fazendo uma declaração política por esse ato”, disse em entrevista ao Argotist Online.

Polêmico, Baraka causou polêmica ao sugerir que judeus tiveram informações privilegiadas sobre os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center, nos EUA. Baraka estava internado desde o mês passado no Newark Beth Israel Medical Center, em Newark, nos EUA.

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