O músico reuniu amigos e família no disco O Mestre-sala da Minha Saudade, feito em homenagem ao seu irmão, André, que o artista perdeu no ano passado.

A obra chega acompanhada de uma produção audiovisual para a faixa-título e dilui um vasto acervo de vivências e sensibilidades para homenagear o irmão. Veja o clipe com exclusividade aqui na Revista O Grito!, abaixo.

O lançamento marca ainda a primeira gravação do pai, , cantando uma composição de Rodrigo, no caso “Lágrimas no Meus Sorriso”.

Produzido por Romulo Fróes, o disco mitifica a figura do mestre-sala ao resgatar a simbologia do carnaval para conduzir o tributo de 12 faixas – meticulosamente ordenadas para gravar no mundo a história de dois irmãos e cúmplices na vida. “É muito forte pra mim pensar no mestre-sala, que protege a bandeira da escola de samba, como o responsável por guardar a saudade. Evoca o samba, saudosismo e tudo da história da minha família. Da minha história com meu irmão também”, comenta o artista ao explicar a escolha da faixa-título para dar início à sua colagem de sonoridades.

Na ilustração do “samba-saudade”, Rodrigo dá contornos heroicos à figura do personagem principal ao recorrer ao teatral figurino de João Pimenta, estilista conhecido por transmitir histórias por meio de suas criações. Ambientado em um cemitério de carros alegóricos próximo à escola Império da Casa Verde, na Zona Norte da capital paulista, o filme foi registrado no último dia antes do início do período de quarentena em São Paulo.

“Foi a última coisa que todos nós, da produção, fizemos. Isso tudo tem uma simbologia pra mim. Loucamente, no próximo ano ainda nem sabemos se vai ter carnaval. Isso torna tudo mais forte ao meu ver”, destaca. O videoclipe ainda traz uma intervenção de Marcelino Freire, poeta pernambucano vencedor dos prêmios literários Jabuti e Machado de Assis e co-autor da última faixa do disco, “Poeminha Sem Salvação”.

Além da imagem carnavalesca do par da porta-bandeiras, outras figuras ganham espaço nessa grande narrativa. “Pássaro Negro”, nona música do álbum e única letra assinada por ele no repertório, retoma a figura de uma ave de plumagem escura já referenciada nos versos da primeira faixa. “Eu compus há muitos anos, em homenagem ao meu pai. Depois, eu e o Romulo fizemos modificações e aí ela passou a falar do meu irmão. Na verdade, eles são muito parecidos. Nós três somos. Até fiquei na dúvida se eu tava expondo isso demais”, confessa.

Também com participações de nomes relevantes da música brasileira, como Benito Di Paula (“Lágrimas No Meu Sorriso”), Xande De Pilares (“O Samba Que Esqueceu”) e Alice Coutinho (“Hiato”), o disco nasce impulsionado por outra produção em dupla, a canção e o show “Trágico” (2018). “Anos atrás eu gravei essa música com a Assucena Assucena, da banda As Bahias e a Cozinha Mineira. Fiz um show com o mesmo nome e sinto que O Mestre-Sala é uma ampliação disso, reverberada por todos os acontecimentos”, conta Rodrigo.

Por meio das colaborações, a densidade dos sentimentos aos quais o artista recorre nas letras encontra leveza e momentos de respiro. “A participação do Xande é um presente. A força e alegria do canto dele fazem todo sentido pra passar a ideia de ‘O Samba Que Esqueceu’: arte não resolve nenhuma dor – mas alivia, ajuda a gente a sobreviver às coisas de alguma maneira”, diz sobre a presença do amigo na letra escrita por Rodrigo Campos.

As nuances de esperança também ressoam na imagem de André. Na penúltima faixa do disco, “Farol”, o cantor divide os vocais com Fróes e, novamente, volta-se à lembrança de seu irmão. Dessa vez, com um latente sentimento de esperança, representado pelo movimento da construção que dá nome à canção e alastra um facho de luz. “Ilumina esses lugares escuros e esse mundo distópico que apareceu em ‘Pássaro Negro’. O Mestre-sala carregado de saudade é como se fosse uma fala minha sobre meu irmão”, explica.

O registro ainda é complementado pelas músicas “Sou”, “Me Diz”, “Sangue” e “Gravura”.

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