Rosalía lançou nesta sexta seu aguardado terceiro disco de estúdio, MOTOMAMI, um trabalho conceitual que avança ainda mais nas experimentações promovidas pela artista na busca por unir referências de tradições musicais espanholas com tendências contemporâneas como trap e eletrônico.

Nas colaborações do disco, a cantora segue contando com seu parceiro de longa data, El Guincho, mas amplia suas relações com a presença de nomes como Pharrell Williams, James Blake, Tokischa e The Weeknd. Tem até mesmo um sampler do elusivo produtor Burial (na ótima “CANDY”). 

São 16 faixas que exploram novas facetas da artista, como um lado bem-humorado que passamos a ver em singles lançados anteriormente, como “Con Altura” e “Millionária”. MOTOMAMI traz letras picantes, reflexões sobre fama, solidão, decepções, e claro, sexo.

Em entrevista à revista i-D, Rosalía disse que Frank Ocean foi uma de suas inspirações e que o músico, autor do clássico Blonde, a incentivou a voltar a compor após um período de bloqueio criativo. Ela disse que Ocean a mostrou que é possível abrir a percepção de mundo e das coisas. “Abrir o mundo como uma maluca”. “O bonito é que pode significar o que você precisa que signifique”, disse Rosalía à revista. “E para mim, faz sentido. A música é sobre transformação.”

Ocean esteve presente em estúdio e até motivou rumores de que estaria presente no disco, o que acabou não se concretizando.

MOTOMAMI represente a culminância de um excelente fase criativa de Rosalía. Em menos de cinco anos, a artista espanhola passou de uma ilustre desconhecida para um dos nomes mais relevantes do pop mundial. Sua aclamação inicial se deu com El Mal Querer (2018), um trabalho conceitual que mostrava a evolução de uma mulher em meio a um relacionamento conturbado através de uma mistura inusitada de flamenco e pop.

Neste novo trabalho, o flamenco não está em um primeiro plano, mas as referências tradicionais seguem lá, ainda que em menor destaque. A personalidade de Rosalía, sobretudo um modo muito particular de cantar, ainda nos remetem à artista revelada em El Mal Querer. A maior inspiração do disco, porém, é o Japão, com as inúmeras referências pop do país, como visto em “Hentai”, “Saoko”, “Candy” e “Sakura”.

E, pra completar, temos ainda o sampler de “Archangel”, de Burial, em “Candy”, que está inclusive citado nos créditos (Rosalía é fã declarada do produtor). Este é claramente a maior exposição já recebida pelo recluso produtor.

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