Sapiens 2 é um ensaio visual divertido baseado na obra de Harari

Novo volume da adaptação em quadrinhos do famoso best-seller de Yuval Noah Harari traz o surgimento da civilização (e todos os problemas agregados a ela)

Sapiens 2 é um ensaio visual divertido baseado na obra de Harari

Novo volume da adaptação em quadrinhos do famoso best-seller de Yuval Noah Harari traz o surgimento da civilização (e todos os problemas agregados a ela)

Sapiens 2 é um ensaio visual divertido baseado na obra de Harari
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SAPIENS VOL. 2: OS PILARES DA CIVILIZAÇÃO
Yuval Noah Harari (autor), Daniel Casanave e David Vandermeulen (adaptação)
Quadrinhos na Cia, 256 pp, R$ 74,90, 2021. Tradução de Érico Assis

No segundo livro da série que adapta o best-seller de Yuval Noah Harari para os quadrinhos, os autores mostram como o Homo Sapiens passou de um coletor e caçador nômade para um agricultor/colonizador, com o domínio do trigo ao redor do mundo. A chamada revolução agrícola possibilitou aos humanos uma maior oferta de alimento, mas por outro lado trouxe diversos outros problemas, como um trabalho extenuante, pior qualidade de vida e o início do conceito de propriedade. Esse período marca também o início dos primeiros impérios e de uma elite dominante. E todos os velhos problemas que lidamos até hoje tiveram sua gênese nessa alvorada do Sapiens civilizado: guerras, desigualdade social e fome.

O roteiro do belga David Vandermeulen segue utilizando um elenco de personagens divertidos que ajudam a transformar os conceitos de Harari em uma narrativa semi-ficcional agradável. Além da versão em quadrinhos do professor Harari, temos ainda a pequena garotinha Zoe, a professora de biologia Dr. Saraswati e os sapiens Cindy e Bill (que são agora fazendeiros), além da detetive Lopez e a Dr. Fiction. Todos eles acabam se encontrando com figuras históricas, como Confúcio (551 a.C – 479 a.C) e diversas viagens pelo tempo como uma maneira bastante fluida de compreender a evolução da humanidade a partir de diferentes pontos de vista.

Vandermeulen consegue compor seu ensaio visual com soluções bem criativas, com praticamente nenhuma perda no trabalho original de Harari. Claro que, por vezes, a HQ acaba refém de sua própria estrutura e algumas passagens se tornam um tanto mais prolixas do que o livro original. Isso porque todos os argumentos de Sapiens precisam aparecer na HQ a partir de alguma narrativa envolvendo os personagens da trama. E isso nem sempre funciona tão bem. Recordatórios gigantescos, balões de texto imensos e passagens estáticas são alguns dos problemas envolvendo o atrito entre o texto acadêmico e a linguagem dos quadrinhos. Mas, esses momentos, ainda bem, são exceções dentro do resultado final.

Os desenhos do francês Daniel Casanave casam bem com a proposta e lembrar obras infanto-juvenis do mercado franco-belga, com um bom equilíbrio entre o traço cartunesco e o realismo.

Sapiens, a adaptação, é uma superprodução em quadrinhos que tem o público juvenil como alvo. Para quem busca incrementar o estudo de ciências entre os jovens ou quem gosta de se divertir aprendendo sobre evolução e biologia, esta leitura é perfeita.

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