O terceiro volume da HQ , de Mário César, que aborda o tema da terapia de “conversão” da homossexualidade, busca financiamento coletivo na plataforma Catarse. A obra foi indicada ao Prêmio Jabuti na categoria quadrinhos e trata com sensibilidade uma prática violenta que ainda faz muitas vítimas no Brasil.

A trama conta a história de Acácio do Nascimento, um garoto que é submetido pelos pais, desde os cinco anos de idade, a diversos tratamentos para “curá-lo” de sua homossexualidade.

No primeiro volume, que foi viabilizado por meio de financiamento coletivo no Catarse, vimos a infância e a adolescência de Acácio, a dificuldade de seus pais em lidar com uma questão que desprezam sem ao menos conhecer direito, as provocações de outras crianças na escola, o despertar de sua sexualidade e as cobranças para se encaixar nos padrões ditados pela maioria.

No segundo volume, acompanhamos Acácio da faculdade até o começo de sua vida adulta. Acácio se apaixona pela primeira vez por outro homem e fica dividido entre seguir seus instintos mais íntimos ou ir de acordo com o imposto pela sociedade e se casar com uma mulher.

Neste terceiro volume, chegamos ao fim da jornada de Acácio, onde ele precisa lidar com o preconceito no ambiente de trabalho e seu dilema entre prosseguir com uma vida que nunca escolheu para si ou viver sua verdade.

Bendita Cura retrata o que é ter a vida marcada pelo preconceito e os efeitos de terapias de reversão nas pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), em 1990. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina deixou de considerar a orientação sexual como uma doença em 1985. HQs como Bendita Cura mostram que, apesar dos avanços na luta pelos direitos LGBTI+, é necessário vigilância contra ações de grupos religiosos ultraconservadores e outras iniciativas homofóbicas a favor da “cura gay”.

Veja mais detalhes sobre a campanha.

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