O último livro organizado por Pier Paolo Pasolini (1922-1975) em vida, Escritos Corsários, ganha edição no Brasil pela Editora 34. Trata-se de uma das principais obras do poeta, cineasta, romancista, ensaísta e dramaturgo italiano que encarnou como poucos o papel do intelectual engajado, capaz de pensar a esfera da arte e da cultura, mas também da economia, da política, do comportamento.

Com veia polemista, nesses artigos publicados na imprensa italiana entre 1973 e 1975, Pasolini aborda, entre outros temas, as rebeliões da juventude que se seguiram aos movimentos estudantis de 1968, a decadência da Igreja Católica, a ascensão das corporações multinacionais, as relações entre governo e máfia na Itália e, especialmente, aquilo que ele chama de Novo Poder — ou novo fascismo —, isto é: o advento de uma sociedade de consumo global, que promove um verdadeiro extermínio das formas de vida tradicionais.

Considerado em retrospecto, fica claro que Pasolini anteviu o movimento de aceleração do capitalismo que viria a ocorrer nas décadas seguintes, resultando nas graves crises do século XXI.

“Não creio em nada, mas luto por algo”, diz Pasolini nestas páginas que soam como um testemunho vivo sobre um mundo em plena transformação.

Nascido em Bolonha em 5 de março de 1922, filho de uma professora do ensino fundamental e um militar de carreira, Pasolini iniciou sua carreira como poeta, ainda criança e depois se aproxima com intelectuais ligados ao cinema, na juventude, quando se muda para Roma. Em 1955 publica seu primeiro romance, Meninos da vida. Mas é como cineasta que Pasolini se tornará mais conhecido fora da Itália. Até o ano de sua morte, Pasolini dirigiu quase um filme por ano, entre eles: O Evangelho segundo São Mateus (1964), Teorema (1968), Medeia (1969), Decamerão (1971), Os contos de Canterbury (1972), As mil e uma noites de Pasolini (1974) e Salò ou Os 120 dias de Sodoma (1975).

No dia 2 de novembro de 1975, Pasolini foi assassinado em Ostia, nos arredores de Roma, em circunstâncias até hoje não esclarecidas por completo.

Escritos Corsários tem 296 páginas, tradução, apresentação e notas de Maria Betânia Amoroso e custa R$ 68.

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