Um Ato de Liberdade

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LISTA DOS BIELSKI
Por Daniel Herculano

UM ATO DE LIBERDADE
Edward Zwick
[Defiance, EUA, 2008]

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É um drama de guerra, baseado numa história real e passa durante a Segunda Guerra Mundial. Aí você deve estar pensando: lá vem a mesma baboseira dos campos de concentração blá blá blá. Mas não, o contexto histórico é o mesmo sim, mas muda o tema. Não é A Lista de Schindler (1993), mas bem que poderia ser A Lista dos Bielski.

Estrelado por Daniel Craig, Liev Schreiber e Jamie Bell, Um Ato de Liberdade (Defiance, 2008) de Edward Zwick, é baseado num livro de Nechama Tec, e conta uma história de sobrevivência extraordinária, mas até então não reconhecida (dado sua importância) e nem mesmo conhecida (como fato histórico) por boa parte do mundo.

Bielo-Rússia, 1941. As tropas alemãs invadem o pequeno país a leste da Polônia, matando judeus e saqueando os pequenos vilarejos espalhados pelo território ainda pertencente à Rússia.  Instintivamente os irmãos Bielski (Craig, Schreiber e Bell) juntam-se a outros judeus e escondem-se na floresta fechada. Dadas às circunstâncias, formam uma sociedade e armam uma resistência, buscando a sobrevivência em meio aos horrores da guerra, ao frio e a fome.

Zwick continua tentando cavar seu caminho rumo ao Oscar. Já bateu na trave com o belo Tempo de Glória (1989) e raspou o travessão com o forte Diamante de Sangue (2006). Aqui o tema ajuda, seu elenco é bom, mas sua condução em parte não ajuda. Tanto nas cenas de ação quando em seus momentos dramático existe uma irregularidade cansativa nas quase duas horas e vinte de projeção. Alguma tensão surge quando acelera, mas em outros a escuridão não deixa espaço para uma melhor compreensão da ação em si. No drama alterna o bom uso da trilha quase épica de James Newton Howard (indicado ao Oscar e Globo de Ouro) com cenas forçadamente chorosas. Os conflitos dentro da sociedade da floresta (incluindo confrontos e um flerte sem sal) também são atingidos por essa irregularidade.

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Além da produção de altíssimo nível, o ponto alto do longa são a trinca de frente. Craig é durão e até emociona como o relutante líder Túvia. Schreiber, o melhor do trio, incita desespero com seus momentos de fúria e destempero como Zus, e podia ter tido até um destaque maior. E Jamie Bell é um belo sofredor (e também apaixonado) como Asael, o caçula dos Bielski.

Um Ato de Liberdade é um bom drama de guerra, conseguindo trazer alguma novidade da mesma história (a questão da resistência Bielo-Rússia nas florestas), mas talvez ficasse melhor se fosse um pouco mais curto e ágil, sem apelar para dramas simples e resolutivos. Ah, e bem que eles poderiam falar apenas um idioma, porque entre russos e alemães fica uma misturada só variando entre o inglês, o russo e o alemão, sem nenhum tipo de ordem nem unificação.

NOTA: 7,0

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