Depois de Londres, mostra de Bowie vai percorrer outras cidades, incluindo São Paulo (Divulgação)
Depois de Londres, mostra de Bowie vai percorrer outras cidades, incluindo São Paulo (Divulgação)

Museus britânicos abrem as portas para a música pop
Exposições sobre David Bowie e Amy Winehouse são sucessos no verão londrino

Por Alexandre Figueirôa
Da Revista O Grito!, em Londres

A música pop está em alta nos museus londrinos. Duas exposições em cartaz na cidade satisfazem a curiosidade dos fãs sobre ídolos inesquecíveis. Um desses ídolos ainda está vivo e seu legado ocupa uma galeria inteira do suntuoso Victoria and Albert Museum: David Bowie. Com o título David Bowie Is e patrocínio da Gucci, a retrospectiva da carreira do artista é um espetáculo visual que faz jus a sua trajetória.

Expo sobre Amy Winehouse está no bairro que ela amava e onde morreu, Camden (Divulgação)
Expo sobre Amy Winehouse está no bairro que ela amava e onde morreu, Camden (Divulgação)

Já no outro lado da cidade, em Camden Town, no bem mais modesto Jewish Museum, quem ainda está com saudade de Amy Winehouse, cuja morte ocorreu há dois anos, pode rever momentos prosaicos da curta vida da cantora. A exposição batizada de A Family Portrait é exatamente isto, uma homenagem carinhosa de seus pais e irmãos a um ente querido que partiu cedo.

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EXPO DE BOWIE É UMA EGOTRIP JUSTIFICADA
David Bowie is é uma grande egotrip, mas convenhamos, ele pode se dar a esse luxo. A exposição reúne as cinco décadas de atividade do criador de álbuns incontornáveis como Rise and Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars e Diamond Dogs e mostra como ele revolucionou a música pop com suas performances e a promoção da integração entre música e arte de vanguarda. Das lantejoulas e make-ups coloridos da fase do glam rock aos momentos mais introspectivos, tudo está lá devidamente documentado.

A mostra explora a riqueza audiovisual produzida por Bowie com cerca de 300 objetos, incluindo os rascunhos das letras das suas composições; as roupas originais usadas por ele em shows e videoclipes; fotografias e vídeos; estudos e designs das capas de discos e sets de concertos; e ainda instrumentos musicais.Toda esta parafernália de coisas, contudo é distribuída pelas diversas salas de uma forma envolvente e que, sem perder o glamour e o encanto, consegue informar e esclarecer a trajetória do artista em todos seus detalhes.

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Acompanhado pelas suas canções de maior sucesso, é impossível não entrar na viagem e não mergulhar no universo musical de David Bowie, percebendo suas conexões estéticas com pintores, estilistas, e também suas dúvidas, suas angústias, e como tudo isto foi sendo processado e re-significado em música e na sua atuação nos palcos. O sucesso do evento é tanto que para ver a exposição tem que se comprar o ingresso com pelo menos dois dias de antecedência. Vale a pena a espera.

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A exposição virá ao Brasil em janeiro do ano que vem para uma temporada em São Paulo, de 28 de janeiro a 21 de abril de 2014, no Museu da Imagem e do Som. Será o terceiro país do mundo fora da Inglaterra a ver a mostra.

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DESPEDIDA PARA AMY É SIMPLES, MAS FORTE
Sem a grandiosidade do Victoria and Albert Museum, a exposição dedicada a Amy Winehouse no Jewish Museum não é menos emocionante. Sem grandes aparatos tecnológicos ou coisas impressionantes para mostrar, ela se sustenta, sobretudo, pelo toque de glamour essencial para ídolos que morrem cedo em circunstâncias dramáticas. Não deixa de ser comovente acompanhar os anos de escola em que Amy era apenas uma garota normal que gostava de cantar e adorava Camden Town, o bairro que morava e onde foi encontrada morta. As fotos familiares, a simplicidade dos objetos dispostos na exposição nada faz pensar que dali sairia uma artista tão forte e de carreira tão fulminante e fugaz.

Lampejos do que ela se tornou em tão pouco tempo resume-se aos vestidos e sapatos expostos. Eles eram sua marca registrada e influenciaram a moda. Amy tinha fascínio pelas décadas de 50 e 60, tanto do ponto de vista musical quanto pelas roupas e objetos do período que ela colecionava. Entre seus discos e CDs Shiley Bassey, Carole King, Finley Quaye, e muito blues. Como bom retrato de família organizado pelo irmão Alex, nada de drogas ou outras extravagâncias. Sutilmente em meio aos objetos da exposição vemos que ela lia Bukowsky, Hunter S. Thompson e livros sobre serial killers.

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Na saída, colados na parede, bilhetes deixados pelos visitantes da exposição com singelas mensagens de agradecimento. No dia 23 de julho, data de aniversário da morte da cantora, uma garota usando um vestido verde com cintura alta e cinto negro largo, sapatos de salto alto, cabeleira vasta armada em coque e os olhos com delineadores bem marcados escrevia um desses bilhetes: “obrigado Amy por suas canções”.

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