“Don’t be a drag, just be a queen”, canta a diva norte-americana Lady Gaga em seu hit “Born This Way”. Em tradução livre, pode significar algo como “Não se esconda, apenas seja uma rainha”. E para quem performa nas noites como uma “rainha que não se esconde”, a expressão é levada ao pé da letra.

Em vários países do mundo, incluindo o Brasil, o mês de junho é marcado por várias manifestações a favor dos direitos da comunidade LGBTI+. Junho foi escolhido por ter sido o mês em que ocorreram uma série de manifestações a favor dos direitos das pessoas LGBTI + em Nova York no ano de 1969. Os protestos foram organizados após a invasão de um bar voltado a este público por policiais numa época em que era proibido ser gay. Durante este mês, a Revista O Grito! realiza uma série de entrevistas com artistas da comunidade.

O sucesso da corrida das drags é um reflexo do tempo que vivemos, onde cada vez mais se busca a liberdade de expressão. Desde a virada do milênio tornou-se um pouco mais comum ver personagens ou programas LGBTI +, e é interessante como o próprio programa “RuPaul’s Drag Race” se estabeleceu bem no mercado de entretenimento, dentro de um nicho tão marginalizado.

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Os amores, questões e vivências dos LGBTI+ sempre alimentaram a música brasileira, muito antes do movimento se consolidar e estar presente nas ruas. O mês de junho é marcado pelas celebrações relacionadas ao Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, comemorado no dia 28. O orgulho, a trajetória de luta e os novos desafios que a comunidade enfrenta hoje no Brasil são tema de uma série de entrevistas especiais realizadas pelo O Grito! para marcar essa data. E a primeira participação é […]

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No Brasil, os precursores desse tipo de arte apareceram nos idos anos 1970 em pequenos grupos com as chamadas artistas transformistas. Hoje em dia, as drag queens estão totalmente sob os holofotes. Elas se montam e saem montadas de piadas ácidas, gargalhadas, muito glitter e talento para passos sincronizados e dublagem de divas pop. A Lia Clark, de Rhael Lima de Oliveira, é uma delas.

Em 2013, formou-se no curso de Engenharia de Produção pela Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Santos. Depois começou a trabalhar em uma empresa de importação e exportação em sua cidade natal. Na mesma época, descobriu o universo drag queen. No ano seguinte, passou a trabalhar paralelamente como DJ em boates noturnas da baixada santista como drag, adotando o nome de Lia Clark, tornando-se conhecida por comandar festas de funk carioca e intitulada informalmente como a “drag queen do funk”. “É parte do meu crescimento como pessoa e a artista”, conta ela.

Clark ficou conhecida do público com seu clipe “Trava Trava”, fruto da parceria com o produtor . No dia do lançamento de seu videoclipe, atingiu a marca de 30 mil visualizações. Em setembro de 2016, a cantora lançou seu primeiro EP, intitulado Clark Boom, que tem sete músicas. O trabalho foi responsável por consagrar a drag queen como um dos principais nomes do atual cenário da música LGBTI + no país.

Uma das suas principais referências é a diva pop americana Nicki Minaj, além de Britney Spears e Dev. “Me inspiro muito em divas pop e trago aquela batida brasileira e assim construo os meus trabalhos”, revela.

É da Pista é o primeiro álbum completo da carreira de Lia Clark. O disco conta com hits como “Tipo de Garota”, “Q.M.T” e “Bumbum no Ar”, parceria com a cantora Wanessa Camargo.

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Um dos trabalhos mais recentes de Clark é “Eu Viciei”, em parceria com a carioca POCAH, que já tá fazendo bastante sucesso. Atualmente, o clipe do hit já conta com mais de 3 milhões de visualizações, além de ter entrado em grandes playlists dos principais serviços de stream.

Acompanhe o bate-papo que batemos com a Lia Clark sobre sua carreira, a cultura drag e, claro, o Orgulho LGBTI +:

Quando foi que você começou a ter contato com a cultura drag?

Desde a primeira vez que eu fui pra balada LGBT já via drag queens no palco e hostess! Mas ainda não entendia nada sobre a arte e suas nuances…

 O funk é a sua raiz?

É parte do meu crescimento como pessoa e a artista. Minha irmã sempre escutou funk enquanto eu estava crescendo e acabei me apegando ao gênero. Lembro dela escutar muito “Furacão 2000”.

 O que pode dizer que também influencia seu trabalho?

Com certeza a cultura pop e o funk nacional, me considero uma mistura dessas duas coisas. Me inspiro muito em divas pop e trago aquela batida brasileira e assim construo os meus trabalhos. Fico feliz de ter dado certo.

Como que surgiu essa parceria com a Pocah para “Eu Viciei”? Queria saber como é trabalhar com ela, o que vocês trouxeram de diferente?

Nos conhecemos no Prêmio Multishow em 2017 e, desde então, mantinha contato com ela em rede social e WhatsApp. Quando comecei a pensar na minha nova era, pensei que seria a hora certa de chamá-la pra embarcar nessa comigo. Fizemos “Eu Viciei” já pensando na Pocah. Ela é uma pessoa MUITO tranquila, ela vive o momento! Eu amei trabalhar com ela. Acho que a nossa música é realmente uma junção do que somos e representamos no mundo da música.

 “Eu Viciei”? é apresentada como uma ode à solteirice, não ficar presa a relacionamento que não faz bem. Você já passou por relacionamento assim?

Mais ou menos ahahhahaha

A faixa se chama “Eu Viciei”. Durante a pandemia todo mundo teve que mudar de alguma forma e ter novos hábitos por conta do isolamento. Qual seu “vício” ou “vícios” nesse momento de pandemia?

Cozinhar e beber em casa! Estou amando a junção dos dois, beber enquanto cozinho… não tinha hábito de beber na minha casa, tive que adaptar esse meu gosto pra nova realidade ahaha.

Você já sofreu algum ataque homofóbico?

Vários.

Em 2018, quando houve a eleição de Bolsonaro, aconteceram muitos ataques homofóbicos, inclusive com vítimas fatais, ameaças de morte… Você pensa em fazer a sua parte contra essa reeleição em 2022?

Com certeza. Em 2018 também estava fazendo minha parte para nem começarmos a viver esse pesadelo. Ano que vem tenho certeza de que não estarei sozinha, e teremos uma gangue de artistas/influencers tentando conscientizar a sociedade que do jeito que está não da mais!

Na série Pose, há a morte de uma personagem na segunda temporada, e uma delas fala que a polícia não investiga porque é uma morte de gay, e a gente sabe que há uma quantidade absurda de gays que vêm sendo assassinados. Gostaria de sua opinião sobre essa questão, que é um reflexo da homofobia.

Assassinato de pessoas pretas, LGBTQIA+ e “minorias” não possuem a mesma atenção nas investigações, mídia infelizmente. Temos uma GRANDE falha enquanto sociedade e no sistema policial contra as “minorias”, podemos assistir isso perante o governo atual, e é algo que TEM QUE ser mudado.

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