Foto: Camila Fontenele/Divulgação.
Foto: Camila Fontenele/Divulgação.
Foto: Camila Fontenele/Divulgação.

O projeto Todos Podem Ser Frida quer bem mais do que ser mais uma homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo. O trabalho da fotógrafa Camila Fontenele é propor barreiras de gênero.

Para isso ela transformou homens na artista mexicana a partir de cinco fragmentos da obra dela: amor, dor, inteiro, cores e aborto. Camila tem realizado exposições onde qualquer pessoa pode chegar, se maquiar e ser registrada para a série. Batemos um papo rápido com ela sobre o projeto.

Mas antes veja algumas imagens do Todos Podem Ser Frida.

 

Como surgiu a ideia do projeto?
O projeto Todos Podem Ser Frida surgiu há dois anos atrás na ânsia de produzir um portfólio fotográfico artístico. A fotografia até então era levada como hobbie, já que trabalhava com publicidade. Dentro da minha pesquisa sobre materiais de fotografia inspirado na Frida Kahlo encontrei muita coisa relacionada à moda e à mulher, mas fiquei pensando que gostaria de fazer algo mais intenso e poético. Escolhi a imagem masculina naquele momento porqye buscava retratar que os sentimentos de Frida também poderiam fazer parte do homem e que ela, por si só, já representava muitas e outras pessoas.

A ideia era fazer 5 ensaios de fragmentos da vida da Frida, como: amor, dor, inteiro, cores e aborto. Os ensaios iam ser expostos apenas na galeria virtual (na época um Tumblr) e nada mais. No entanto veio a ideia da intervenção onde outras pessoas pudessem ser Frida Kahlo. No começo foi meio estranho porque estava tão focada a transformar apenas homens que era estranho ver mulher de Frida, mas depois comecei a tirar grande proveito disso e pra mim não era apenas uma fotografia e sim uma experiência e um estudo de como as pessoas se comportam interpretando outra.

Seu trabalho trata de questões de gênero, algo que vem sendo colocado em xeque como nunca antes. Acha que o projeto pode ajudar a debater o assunto?
Sim. Na verdade o projeto tem muitas ramificações, mas creio que a mais forte seja o gênero. Quando a situação é com o homem tenho quatro casos: o bem resolvido, o homossexual, o que tem medo mas acaba fazendo e o machista que critica o outro por ter feito aquilo. É engraçado porque o resultado disso às vezes é instantâneo e outras vezes só vem na hora que eu posto a foto na fanpage com comentários de outras pessoas. Já recebi muito recado de gente que ganhou conotações por estar vestido de mulher mas que depois disso começou a pesquisar mais a vida da Frida Kahlo e tirou uma grande moral.

Como você organiza a produção? Tem uma equipe por trás? Como é feita a seleção dos modelos?
Sim. Para os cinco ensaios oficiais feito apenas com homens contei com o modelo e um artista plástico (no total foram 5 diferentes), todos convidados.

Já as intervenções eu conto com assistente e maquiadora, e dependendo da cidade em que isso ocorre a equipe chega a contar com 6 pessoas devido à demanda. Nesse caso não tem seleção pois é uma oportunidade para que outras pessoas possam ser Frida.

Qual são seus próximos passos com esse projeto? Pensa em um livro, uma exposição?
Atualmente estou fazendo bastante intervenções pelo estado de São Paulo e participei do Festival de Inverno de Ouro Preto/Mariana. A minha intenção é poder levar esse projeto para outros estados e também escrever um livro contanto o processo e as experiências que esse trabalho me proporcionou.

Como foi seu contato com a obra de Frida Kahlo? Qual sua relação pessoal com o trabalho dela?
Costumo dizer que a dor de Frida curou a minha. Conhecer a sua vida/obra foi essencial para a mudança da minha rotina/profissão, então digamos que o projeto seja uma parte do meu amadurecimento. Não há uma separação. Quem olha as fotos passa a me conhecer um pouco mais, pois tudo foi feito de dentro pra fora – é um jeito que arrumei para provar pra mim mesma que eu era capaz de ser fotógrafa e não publicitária.

Conheça mais: http://www.todospodemserfrida.com

Leia Mais
Revista Propágulo abre exposição coletiva com 11 artistas pernambucanos