busca um recomeço com Father of The Bride
NOTA7.5

Father of The Bride significa muito para o Vampire Weekend. Um dos mais celebrados grupos de rock da última década, a banda estava em uma espécie de hiato após três discos aclamados. Passados seis anos, com um integrante a menos após a saída do multi-instrumentista Rostam Batmanglij, o grupo precisava provar a si mesmo e ao público que ainda mantinha azeitado sua mistura de indie-rock e pop.

Father of The Bride cumpre parte desse desafio ao entregar um disco desafiador nas letras e na sonoridade. A banda decidiu apostar em arranjos mais densos e um texto por vezes mais sombrio, introspectivo e existencialista. Ezra Koening agora explora incertezas e medos, como em “How Long?” e “Harmony Hall”. A ironia ainda segue presente em faixas como “Unbearably White”, mas o disco brilha mesmo quando se permite explorar novos temas, a exemplo do casamento e família.

O disco traz três duetos com Daniele Haim, do trio HAIM, e um deles fala abertamente sobre matrimônio, “Married In A Gold Rush”. Steve Lacy, do The Internet, participa em duas ótimas faixas, “Sunflower” e “Flower Moon”.

As referências do pop africano ainda seguem presentes do som do Vampire Weekend, que mantém o tom eclético ao agregar elementos do lounge, do rock oitentista e pop experimental. Com 18 faixas, o disco diz muito sobre o atual momento do Vampire Weekend, que busca um recomeço apostando em novas identidades sonoras. É bom ver o grupo se arriscar após três álbuns tão meticulosamente perfeitos.

VAMPIRE WEEKEND
Father of The Bride
[Columbia/Sony, 2019]

Leia mais críticas de novos discos aqui na Revista O Grito!
Novos Sons: mais lançamentos, playlists, clipes e novidades musicais

Sem mais artigos