O cantor é tema da exposição interativa A Energia dos Doidos, Motor da Imaginação, no Museu do Estado de Pernambuco. A mostra inaugura nesta quinta-feira (14) e ficará em cartaz até 5 de janeiro de 2020. A curadoria do projeto é feita pela artista plástica e designer Rose Pepe. “Por ser o Alceu, eu preferi não seguir esse modelo pra deixar fluir algo mais íntimo. Preferimos trabalhar com a emoção sem precisar se prender a roteiros técnicos”, detalha.

Com quase 50 anos de carreira, Alceu é um dos mais celebrados artistas do país. Dono de canções emblemáticas que marcam diferentes gerações, a exemplo de Anunciação, Tropicana, La belle de Jour e diversas outras, o artista de 73 anos arrasta multidões e corações com frevos, cocos e cirandas, que misturadas ao rock, guitarras, baixo e sintetizadores eletrônicos, formam um estilo único que representa o Brasil e a essência e regionalidade do Nordeste.

Entre as obras expostas, destaca-se a instalação Linha do Tempo, na qual é possível ouvir por meio de audiodescrição em um headphone, histórias contadas pelo próprio Alceu. Outro ponto alto é a Luneta do Tempo, equipamento interativo audiovisual que brinca com o primeiro filme produzido pelo artista.

Conversamos com a curadora Rose Pepe sobre a obra. Acompanhe:

Por que o título A Energia dos Doidos Motor da Imaginação?

Esse título me acompanha desde 87, fiz até uma camisa que eu mesma escrevi a mão. Fiz como fã do Alceu mesmo. Quando eu comecei a pensar na exposição, iria chamá-la de Rubi, em referência ao disco lançado nos anos 80,  auge do rock e que foi um grande sucesso. Mas a música Leque Moleque sintetiza de forma muito autêntica e intensa quem é o Alceu. Que vive falando que não cresceu, envelheceu. Essa música representa muito ele, que é movimento, energia e doidice. Por isso o título A Energia dos Doidos Motor da Imaginação

A exposição se propõe a ser divertida, musical e interativa. Como se deu o processo de concepção desse trabalho?

Geralmente fazer uma exposição em museu tem alguns processos: rotina, conceito, projeto expográfico e montagem. Mas pelo título, por ser o Alceu, eu preferi não seguir esse modelo pra deixar fluir algo mais íntimo. Preferimos trabalhar com a emoção sem precisar se prender a roteiros técnicos. Sem linearidade e cronologia, cada instalação que o público verá na exposição é única. E faz parte do todo que é a obra do Alceu.

Uma das obras da exposição sobre Alceu Valença. (Divulgação).

São cerca de 20 obras inéditas. O que pode adiantar desse material?

A expo exibe 19 telas inéditas que foram colorizadas com uma técnica similar da colorização da fotografia.  Essas foram feitas por mim. Elas também vão poder ser “acessadas” pelo público, através de um QR Code, onde o público vai poder ouvir a música que insipirou a confecção da obra. A exposição também vai ter diversas outras obras como o Maestro, que mistura arte música e tecnologia, obras interativas, brinquedos eletrônicos e intervenções artísticas. 

Também será lançado um catálogo com a biografia do artista. Como está organizado?

Tivemos dois dias inteiros de entrevista com o Alceu pra poder construir a exposição. O material ficou tão valioso que tínhamos que fazer algo com o aquela entrevista. Daí, organizamos o catálogo. Mas pensei que ninguém contaria melhor aquela história do que o  próprio Alceu. Não por ser a vida e trajetória dele, mas porque ele é um excelente contador de histórias. Por isso, resolvemos fazer um “Catálogo Falado”, onde é possível o leitor ouvir todo conteúdo escrito, sendo narrado pelo Alceu. É só acessar o QR Code. A tiragem será limitada e a distribuição acontecerá no dia do vernissage. 

Na sua carreira, Alceu se consolidou como cantor e compositor, mas também transita por outras linguagens artísticas como cinema, literatura, entre outras. De que forma tudo isso está contemplado na exposição?

Está contemplado nas obras. Teremos um circo pra falar da sua performance cênica. Poesia, audiovisual, performances, música e cinema.

Qual o desafio de sintetizar quase 50 anos da carreira do artista nesse trabalho?

Alceu é um cara que tem uma representatividade gigantesca no mundo. É um grande desafio. Mas muito prazeroso também. Foram muitos dias de mergulho total. Venho guardando relíquias e recortes desde 1987 rsrs. Mas foi em 2016 que comecei a reunir tudo e definir os conceitos. Alceu me perguntou por qual motivo eu o escolhi. Eu respondi que a gente não escolhe de quem vai ser fã. Foi um desafio apaixonante.

Outras cidades também vão receber a exposição?

A ideia é levar o projeto pra São Paulo e o Rio de Janeiro e também é do interesse do Alceu que a expo vá pra Lisboa. A gente já tá trabalhando pra isso. 

Serviço

 A Energia dos Doidos, Motor da Imaginação: exposição sobre Alceu Valença

Local: Museu do Estado de Pernambuco (Avenida Rui Barbosa, 960 – Graças, Recife)

Visitação: De 14/11/19 a 05/01/20, de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 17h, e sábados e domingos das 14h às 17h

Entrada Visitação: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia-entra) e entrada gratuita nas quartas-feiras.

Informações: (81) 3184-3170

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