Zé Manoel e a luta do povo preto e indígena no disco Do Meu Coração Nu

Músico pernambucano está entre o vigor do embate e a ternura do amor em disco que fala muito sobre o Brasil atual

Foto: Máquina 3/Divulgação.

O músico pernambucano (natural de Petrolina) Zé Manoel lança o seu novo disco, Do Meu Coração Nu. A produção é do músico, compositor e produtor musical baiano Luisão Pereira. O trabalho traz questões raciais em política em uma sonoridade que passeia entre o embate e o acalento.

“História Antiga”, que abre o disco, começa a narrativa em 2019, mas poderia ser em qualquer outro ano desde a chegada dos povos africanos em terras americanas até hoje, pois fala sobre o histórico de violências e da luta de resistência do povo preto, aliado ao povo indígena, povos historicamente massacrados e marginalizados no Brasil. É uma faixa bem triste, mas que finaliza com uma perspectiva de renascimento, de luta.

Ao longo do trabalho, Manoel vai traçando uma narrativa sobre a invisibilização do povo preto e indígena e como as histórias desses povos precisam ser finalmente conhecidas como também recriadas. Essa questão vem pontuada pela fala da historiadora sergipana Beatriz Nascimento, que inclusive dá nome a uma das faixas.

O disco se despede com a música “Adupé Obaluaê” evocando a cura a todos os nossos traumas através de pedidos de agradecimento ao orixá “Obaluaê”.

O novo álbum traz ainda participações de Kassin, Stephane San Juan, a poeta Bell Puã (que recita a poesia “Prelúdio Para Iluminar o Rolê”), Gabriela Riley e Luedji Luna (na faixa “Não Negue Ternura”).

O disco é um lançamento da Jóia Moderna e terá a versão física lançada na Passa Disco, no Recife.

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